sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A vida ao redor de si mesma

Perdeu um amor?
Chore, chore, chore...
Alugue os amigos com seu papo de bêbado rejeitado.
Questione a vida e seus caprichos.
Tire conclusões precipitadas.
Chore, chore, chore...
Canse a família com sua indignação diante do fim evidente.
Prometa nunca mais amar de novo.
Vá a uma festa.
Sinta saudades.
Chore, chore, chore...
Tente trabalhar e passe o dia olhando pro teto.
Reclame da falta de concentração.
Resmungue, pragueje, mostre-se vingativo.
Chore, chore, chore...
Continue amolando os amigos.
Depois, fuja do assunto, desconverse.
Diga que está tudo superado.
Sinta uma vontadezinha de chorar.
Durma pensando nas perdas.
Tente reconhecer os ganhos.
Reavalie seus argumentos,
Sua forma de pensar.
Reflita, reflita, reflita...
Aprenda alguma coisa com tudo isso!
Então,
Sorria, sorria, sorria...
Perceba que a vida deu uma volta ao redor de si mesma.
E você, mais uma vez sobreviveu.
Poderia dizer muito, pouco ou nada agora.
Se mostrasse meus caninos e minhas unhas afiadas,
Talvez dissesse algo sobre nós.
Tudo que me inspira paixão,
Extrai o melhor e o pior de mim.
Mesmo distante,
você me envolve em seu vapor quente.
Mas, eu não derreto.
Eu inflamo!
E fica dolorido esse espaço vazio ao meu lado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Seu rosto sobre o meu,
Uma expressão de súplica e gozo.

Nossos lábios silenciosos,
Anseiam por tocarem-se.
Às vezes sutil,
Quase sempre ferozmente.

A flor, um botão cerrado,
Fez-se surpreendente.
Desabrochou em lavas.
Uma bela rosa vermelha,
Com admiráveis pétalas em brasas.

E você como um furacão,
Estremeceu minhas bases.
Alcançou minhas raízes.
Despertou em mim,
sensações desconhecidas.
Porque não, adormecidas?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tempestade.

Tempestade vem depressa.
Em seu azul acinzentado.
Desaba sobre a terra a sua força!
Corta o céu com seus lastros brilhantes.
Muda a direção do vento.
Nos diga como respirar.
Depois, limpa o dia.
Deixa o sol voltar...

Sei como é a fúria.
Não fria como a sua.
A minha queima a pele.
E acelera o pulso.
Mas não posso chover.
Sempre odeio...
E volto a amar outra vez.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Complain

Fuck! I want you to stay,

Not always going away.

I hope we’ll be fine some way.

Who knows tomorrow?

I just know today.

sábado, 1 de novembro de 2008

Sedimento

Detrito resultante da erosão, sedimento.
No corpo, o tempo e o chão.
Tudo nos gasta, nos lapida.
Somos reconstruídos a todo instante.
Eternos esboços de criação.
Que mesmo não sendo arte, somos lindos.
O esforço do ensaio, o suor, as dores.
O processo de tentar caber em si mesmo.
E abrigar os aplausos e as vaias da platéia...
O personagem que se escolhe pra viver,
É uma verdade cheia de fantasias.
Um faz-de-conta feito de sensações.
Porque, real mesmo é o que fica,
Aquilo que sedimenta, conforta.
O que traz pro dia-a-dia,
A leveza dos sonhos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Emotivo.

Emotivo: aquele motivado pela emoção! Não um radical viciado em adrenalina. Não um deprimido levado por ilusões. Emotivo! Talento de sentir e saber expressar, sem medo de vasculhar o fundo das coisas e virá-las do avesso. Não há lado certo. Há o lado que nos ensinaram a esconder. E aquele cuja face somos incentivados a mostrar. Veja a liberdade implícita nisso! O emotivo vive como formiga carregando os sentidos de um lado pro outro. Sabe aquela folhinha passando, caminhando no chão? Aquela que ninguém dá importância? É a emoção num monte de idas e vindas, ajudando a alimentar um formigueiro inteiro. Porque a vida alimentada continua.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eu odeio o tempo.

Eu odeio o tempo
e o quanto ele me faz esperar.
Não vai rápido ou lento,
por vontade minha.
Segue sem amarras...
Esvazia aquelas horas de alegria.

o presente, cheio de nós,
Derrama, no futuro, o frio.
Fluído e penetrante.
Que, do corpo, leva a saudade.
Das ilusões partidas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Se eu soubesse escrever...

Se eu soubesse, pra você,
Escreveria uma música inteira.
Versos, melodia, voz.
Em múltiplas sílabas, tudo a minha maneira.

Melhor seria, se pudesse, eu,
Escrever uma sinfonia.
Maestro, acordes infinitos...
Só pra alegrar o seu dia.

Escreveria contos, romances,
Mil histórias fantásticas.
Faria dos nossos momentos juntos,
A obra mais admirada do mundo.

Inventaria diálogos, gestos, olhares.
Num filme lindo.
De cenas incomparáveis.

Descreveria com exatidão.
O mar, o sol.
E do céu, desvendaria.
Toda a sua imensidão.

Recriaria o mundo.
Se soubesse, eu, escrever.
Só pra te provar,
O quanto amo você.

Aos mestres.

Eu me diplomei mestre, mas ainda não me sinto professora.
Como você que demonstra amor pelo ensino, eu ainda não o amo incondicionalmente.
Como você que não desanima diante da dúvida, eu ainda as tenho aos montes.
Como você que acolhe os aprendizes, eu ainda preciso continuar aprendendo.
Para ser mestre, o amor, as dúvidas e o aprendizado são eternos e essencias.
Talvez esteja, eu, no caminho certo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Irmão.

Nós dois somos a prova de quão aleatório é o momento da fecundação. Pois, das milhões de possibilidades, nascemos nós: tão diferentes e iguais ao mesmo tempo. Não temos o mesmo sexo, nem a mesma cor. O tempo nos separou por longos 6 anos e nem por isso você ficou zangado. Me recebeu como um presente. Eu era a certeza de que você nunca estaria sozinho. Pertencemos a mesma espécie. O olhar que não compreende o mundo, o corpo delgado, as idéias atípicas. Até os cachos dos cabelos que dos nós fazem graça, nos emprestando a alma infantil das pessoas sonhadoras. Ilusões, temos muitas. Amor, temos demais. Em você, transborda e alaga tudo. Em mim, transborda e me afoga. Somos feitos do mesmo pai e mãe, mas esse laço imaginário que nos une vai além do que corre nas veias e artérias. É a magia de amar alguém com quem tive que dividir o mundo, sem que isso significasse perder uma metade.

domingo, 13 de julho de 2008

Fases

Quando deitei pra dormir, procurei o seu cheiro em mim e você estava lá: o calor, os sussurros, seus movimentos a noite inteira... Meu coração acelerou e me deixou de novo ofegante. Estava com sono, mas inquieta. Nem tentei resistir ao seu sorriso, nem tentei não me encantar com a sua alegria. Me envolvi nos seus lençóis... Ficamos tão próximos que não sabia onde minha pele terminava e onde começava a sua. Não, não parecia próximo o bastante. Queria-se mais... Se pudéssemos nos fundir ou devorar um ao outro, beijos, cheiros e mãos transbordariam...

Digo tudo que sinto. Tornou-se algo natural pra mim.

Ouço palavras delirantes de um recém-nascido. Ele está um pouco assustado com tantas sensações novas. Tantas cores, cheiros, sabores... Os sentidos mal conseguem acompanhar tudo isso... É como se nunca tivesse experimentado algo assim antes. É difícil descrever o novo! Às vezes ele diz certas coisas comprometedoras, tão baixinho, que mal dá pra ouvir. Como se ele estivesse transbordando, mas não quisesse se precipitar. Eu ouço, sorrio e finjo que não ouvi nada. Feliz da vida...


Eu te amo tanto que às vezes não sei o que fazer com tudo isso. Se guardasse, eu certamente explodiria.

Prefiro, então, partilhar esse sentimento com meus outros amores. Meus amigos e minha família não têm do que reclamar, pois convivem com uma versão mais feliz de mim. Sou uma filha mais carinhosa, uma irmã mais compreensiva e uma amiga otimista que enxerga solução pra tudo.

Acredite, ainda assim, há amor demais pra eu guardar sozinha. Preciso de você para dividí-lo em dois e multiplicá-lo. Preciso de você para se perder comigo nessa imensidão.


Hoje acordei com uma inquietude atípica. Não atípica pra mim, mas pra pessoa que resolvi me tornar. Talvez os sentimentos despertem nossas fraquezas, aquilo que precisa ser lapidado...
Os sentimentos lindos são assim: nos desequilibram. Não que isso seja ruim. Não é! Aliás, é uma das melhores sensações existentes. Mas, numa bela manhã de sol você acorda sem os pés no chão. Você sabe que aquela pessoa já é importante na sua vida. Você já sabe que ela faz falta, você sente uma vontade incontrolável de sair correndo e dizer isso a ela_ mesmo que já o tenho dito. Qualquer silêncio ou demora, aperta o coração. O ar parece pouco, seco. O tempo é lento e grande como um abismo.
Não quero pensar, só sentir. Será que consigo, enfim, conforto sem os pés no chão?


Da desordem do meu mundo imaginário, sobra sempre o momento de acordar. Num sobressalto, eu abro os olhos sem saber por onde andei. Mais uma vez, criei a dor onde ainda não havia amor. Idealizei aquilo que o outro não pode ser. Esqueci que meus sentimentos ecoam, mas não contagiam. Não são parasitas. São livres...


Nas minhas ilusões, os amores são impossíveis, inexplicáveis ou inexistentes. Mas, não é assim que quero seguir, se há encontros neste mundo onde você se reconhece em alguém e outro na sua presença e essência... Se o seu cheiro desperta a fúria, pode despertar paixão também. Se quem te odeia chora pela sua existência, quem te ama pode sorrir. Hoje o tempo chora e eu nem sei porque. Sendo uma sugestão, prefiro evitar. Sendo espelho, não quero ver. O que reflete em mim não precisa ser dor. Quero que seja esperança. E o amor, possível e inevitável.


Você invadiu o meu mundo e tudo virou do avesso. Meu olhar não é mais o mesmo sobre as coisas cotidianas. Minhas idéias se misturam. Não partilho mais o certo do errado, o presente do futuro, o que sinto e o que penso. Minha vida, hoje, é feita de partes que flutuam, mas não se esbarram. Ela é um caos harmonioso e ritmado, pois se rearranja e se desfaz a cada instante. Você tirou tudo do lugar e reinventou onde eu me guardava. Me fez de abrigo, sem pedir licença, enquanto a tempestade não passava. Agora quer construir em mim uma varanda com vista pro mar. Como posso negar-lhe uma parte se você já possui o todo?


Fico aqui pensando: pensar pra quê? Se as melhores coisas da vida foram criadas para nos distrair dessa tormenta de se perguntar sobre a razão de tudo... Quem fica filosofando quando joga futebol, dentro de uma sala de cinema, enquanto mergulha no mar, no meio de uma gargalhada, no primeiro gole de um vinho bom, cantando junto com a música do rádio, dando aquele beijo? Isso é poesia! Querer entender o que se sente é um tempo desperdiçado. Permita-se o inexplicável! O contentamento e o riso, o olhar de quem se ama, aquele dia que parece eterno, a certeza de não querer ir embora... Não vou rasgar o que sinto como se fosse achar razões dentro de mim. A minha alegria está refletida do lado de fora, onde o sol queima a minha pele frágil. Não há cascas, escudos ou armaduras que sejam melhores do que não tê-las.


Se pensa que te esqueci quando estive longe, engana-se em seu julgamento. Num cenário diferente, foi quase inexplicável as vezes que me lembrei de você. O tom do espresso quente deslizando sobre o sorvete de creme se assemelhava a sua pele. Usei a mesma blusa que te ouvi sussurrar em meu ouvindo em um dia feliz. O meu cabelo fazendo cachos que você tanto gosta... Até mesmo o som da minha voz dizendo palavras de um jeito particular com o qual você sempre implica. E se diverte. Até que avistei algo numa vitrine que me fez recordar seu gosto pelas coisas belas. Não resisti em trazê-lo de presente. Uma prova concreta de que em todos os momentos você esteve comigo.

Je dois partir ou rester.
Je vais où?
Ma esprit me garde.
Mon coeur me libére.
Chaque chemin, un doute et une certitude.
Je suis une orchestre désaccordé.
Les sons aigus sont intenses.
Mon corp frémit.
La vie habite ma peau.
Et sa voix, mes lèvres.
Je crie, mais personne écoute.
Quel est la langue d'amour,
qui je ne connais pas...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pensées du soir.

J'écoute cette chanson...
Le son du piano,
il me fait rapeller de toi.
Je regarde le paysage du soir.
Ma fenêtre est une morceau du monde.
J'imagine, alors, la mer plongée dans le noir.
Elle est douce et grande.
Si j'étais un bateau,
Je me perdrai dans ses bras.
Il y aura jamais la solitude...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Qu'est que nous fait , l'amour?

Il laisse-nous dans un tour.

Où nous nous perdrons

entre vers et histoires.

La vie, dans une ligne

se contorsionne.

Nous sentions que nous la plier

comme une indication

de la direction correct.

Les pensées fous.

Les distances insondables.

Tout ça a une raison.

La raison de coeur battre

fort et tranquille la première fois.

domingo, 1 de junho de 2008

Me rendo aos instintos e me perco de mim mesma.
O palpável nos reserva um abismo.
Onde uma solidão sem alma se revela no fundo.
Eu subo e caio mil vezes.
Dói mais a queda que o fim.
São mil esperanças perdidas.
Prefiro não cair mais...
Nem subir tão depressa.
Quero a leveza.
A abstração.
Que me leve a um estado pulsante.
E constante.
Que bate, bate e não dói.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Não sou poetisa.

Não sou poetisa.
Tento apenas extrair das palavras
A razão de meus sentimentos.

Mas que sentimentos são esses
Que não sei descrever!
Ou seriam as palavras
Insuficientes?

Descrever a si próprio
É enxergar-se de dentro pra fora
Virar-se do avesso.


Deixar-se mostrar em essência
É transparecer o amor.
Que em seu espaço profundo
Expressa sua face complexa.


O dom de decifrá-las
Nasce com poucos
Eu não conheço palavras
Apenas amo!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Tu vês a luz tão longe.
Isso me contenta.
Pior se tudo que visses
fosse frio.
Fosse um infinito
escuro e vazio.

No fim, o sol é sua fé
há muito desacreditada.

Quando a alegria é sonho
E a tristeza é vida.
Pergunto-te:
O amor, onde fica?
Olho o relógio e já é tão tarde…
Desta vez não estou preso ao computador
Não te vejo numa pequena imagem
Parecendo só um lindo sonho
Uma fugaz miragem!
Fechos os olhos e vejo-te
Como numa bela fotografia
Mas não sinto muita alegria,
Apercebo-me que já decorei
Todos os traços do teu rosto
Uma lágrima em segredo cai de saudade
Mas nunca por desgosto!
Hoje estou sentado junto ao mar…
Tal como eu está muito agitado
Ambos pelos mesmos motivos
Pelo Tempo…
Pelo tempo que teima em não passar
Com um leve trago de tristeza no ar!
O vento sopra-me forte no rosto
E com ele vem um ar frio,
Mas não tão frio quanto este vazio
Quase sem fim!
Sinto saudade, desabafo para mim
Amo-te de verdade!!!
Concentro-me na escuridão do mar
E nem a chuva que me está a molhar
A sinto cair…
Parece que tudo me passa ao lado…
Tudo menos o teu lindo sorriso
Esperança certa de um futuro
Presente num triste passado!
Caminho sozinho pela praia
Procuro um rumo, uma longa trilha
Que me leve a ti…
Volto a chorar, é difícil aguentar esta dor
Sentimento forte, um grito de amor
Sinto a tua falta, sufoca-me a alma…
Limpo as lágrimas
Penso com o coração…
Esperei muito tempo por ti
Por este Sonho, por este Amor!
Nada vai-me dissuadir
De lutar por ele até não ter mais forças
Nem mesmo um Oceano impede o meu desejo
De ser feliz ao teu lado
De sentir o calor do teu abraço
O carinho apaixonado
De um eterno beijo!
O teu encanto fez a minha vida renascer
Como o Sol do um novo amanhecer!
Hoje vejo a saudade como uma dor boa
Uma dor que me faz sentir vivo
Uma dor carregada de amor…
Sentir saudades tuas é viver o meu amor no seu esplendor máximo
A distância desafia o esquecimento
E principalmente coloca a nu a força de um amor
Um amor que se for forte é verdadeiro
E nem o tempo que é relativo
O impedirá de ser absoluto!

Solidão

Porquê sonhar ter alguém se já te tenho?
Procuro outros caminhos,
Mas a vida entra em fúria
E é pra ti que sempre venho…!
Só tu não mostras incúria
Na forma como me tratas!
Só tu me entendes…
Sinto o teu apoio
Nas tuas palavras ditas em silencio…
És-me fiel, nunca me deixas só…
Hoje és um reflexo de mim,
Um pouco daquilo que eu sou…
Sabes? No fundo já não sei viver sem ti…!
Sentado ao pé do mar
Vejo como uma onda é forte
Olho o céu, procuro um norte
Reparo no desenho
Que a minha sombra faz na água
Espelhando toda a minha mágoa!
Talvez leve consigo o medo
De alto sonhar!
O pôr-do-sol reflecte a sua luz
No enorme azul celeste
A noite que ameaça chegar
E uma saudade que vem…
Que olhar inesquecível
E eu sinto-me quase invisível
Apenas deixo na areia as pegadas
Que tarde ou cedo serão apagadas
Talvez pela chuva
Talvez mesmo pelas minhas lágrimas!
Espreito à beira da falésia
Como é grande o abismo que nos separa!
Esperança tão ténue
Chega mesmo a ser ingénua
Pintada num verde subtil muito fino
Incapaz de mudar o meu destino!
O tempo passou…
Os segundos, os minutos, as horas
Mas na verdade nada em mim mudou
Só agora dou conta
Que sempre aqui estive
No mesmo lugar onde me deixaste
Preso à mais ínfima esperança
Ao mais supérfluo dos teus defeitos
Ao mais singelo olhar da tua indiferença!
Amo-te por teimosia
Amo-te de sentimento, não por cortesia
Amo-te até de forma inconsciente…
E tu? Amas-me com um nada
Que de tão nada que é
Nem desprezo pode ser!
Se é errado amar-te
Errarei vez após vez
Enquanto não for pequena
A minha lucidez
Pois mais vale um dia sombrio
Que um dia sem sombra…
Não exijas nada de mim
E terás tudo…
Não procures o amor nas palavras,
Procura-o na ternura dos meus olhos
A cada instante que te vejo!
Em cada acção minha,
Tu estás sempre presente,
Viver por amor é uma sina,
Olha nos meus olhos, eles não mentem…!

Meio Poeta

O homem vive os sentimentos,
O poeta entende-os!
Um poeta não finge muito menos mente,
O poeta sente!
Qualquer poeta aceita a dor como sua.
Procura o sol mas encontra a lua…
Inspira-se no sofrimento,
Refugia-se no seu silencio,
A tristeza é sempre o seu momento…!
Num poeta não conta a idade,
Apenas a sua maturidade
Para entender o seu mundo
Bem lá no fundo!
Um poeta escreve com arte e talento,
Sem nenhum fingimento
Tudo o que lhe vai no peito!
Só sou meio poeta,
Tenho a alma, não tenho o jeito…!
Acertaram ao dar-te o nome de flor
Nunca se sabe o teu cheiro
O teu norte, a tua luz
Apenas o teu sabor…
À primeira vista parece ser algo amargo
Ausente por alguma ferida
Mas em cinco segundo decifra-se a primeira pista
E descobre-se como é tão doce pronunciar
Margarida!
Pessoas como tu contam-se pelos dedos
E uma palavra faz-me lembrar de ti,
A saudade!
Não me importa saber os teus segredos,
Nem nada da tua intimidade
Só me interessa o que o teu olhar me diz
Essa tristeza contigo nada condiz…!
Esse sorriso radiante
Aprazível, mágico, exuberante
Capaz de inspirar para escrever
Quem nem sequer sabe ler!
Metade da tua beleza está nos meus olhos
A outra metade está no teu encanto…!

Amor Escondido

Explode a vontade de ter dizer;
Aquilo que a própria razão nega;
E que o meu coração esconde…

Cada vez em que te posso ver;
Toda a minha alma sossega;
Nascendo a esperança não sei d’onde…

No fundo o que eu estou a fazer é sonhar;
A fraqueza tornou-se no meu ponto forte;
Mas o hoje traz a certeza do amanha perdido…

A realidade diz-me que não te posso amar;
Teus olhos são ausentes, teu carinho já é uma sorte;
Apenas te posso dar o meu amor escondido!
Árvore que vejo da minha janela
É tão grande a tua altura
Grande essa solidão
Tão pouca parece ser a tua ventura!
Quantos ramos tu terás?
Talvez cada galho um desgosto
De um Inverno logo e penoso
Longe de um soalheiro Agosto!
Nem acredito que já mal folhas tens
Cada folha um sonho teu
Alguns já por terra
Como cinza de um lume que já ardeu
Outros já velhos, amarelecidos
E esquecidos, presos ao vazio
À espera que o vento os leve
No próximo sopro deste ar frio!
Em breve ficarás despida
Perderás o que te resta da alegria da vida
E eu tal como tu ficarei à espera
De voltar um dia a ser o que era!
A noite já vai alta…
Deitado na cama, geme uma a uma
As notas de uma melodia
Que desafia o silêncio!
Tudo o que vejo é quase só escuridão
Apenas uma luz tímida
Relutantemente entra pela janela!
Levanto-me e espreito através dela…
Procuro-te no horizonte…!
Em vão olho pró céu
À procura de um ponto que me guie a ti!
Procuro o teu sorriso
Mas nada mais vejo que escuridão…!
Olho para trás…
Mal distingo as formas do quarto
Está tão escuro
Já nem sei se é de ser tão tarde
Ou da solidão provocada pela tua ausência!
Calmamente volto-me a deitar
Fecho os olhos…
Como um passe de mágica
O verde surge de rompante
Iluminando tudo à minha volta
Que brilho tem esse sorriso…!
Acelera o ritmo do coração
Estala agora cada vez mais alto
O som das cordas em cada acorde da guitarra
Toda a minha alma vibra!
Dou por mim a sorrir…
Não por ser um homem feliz
Mas por ter a felicidade
De fazeres parte da minha vida!
Vou-me deixar assim ficar…
Até o sono chegar e os sonhos levarem-me
Para um mundo de fantasia…
Para um mundo que se não fosse a sonhar
Jamais eu poderia estar…!
Hoje perdi a esperança
Morreu o meu eu…
Toda a luz se perdeu
Num gesto mais atento
De pura confiança!
Falta-me talento
Falta-me o meu mundo
Faltas tu no fundo!
Tal como o vento
Forte fraco ou lento
Só damos por ele
Quando nos toca
Todo o resto não importa
Batemos com a porta
E acreditamos que o amanha
Já não volta…!
Não perguntes mais por mim
Dói demais e tua ausência
Para perceber que essa indiferença
Mata o que de melhor
Posso sentir por alguém!
É tarde…
O tempo já não volta
E eu…? Eu não serei mais o mesmo…

Devolva-me teus versos!
Não por direito
posse ou orgulho.
São a parte de ti
que tenho, nada mais.

Se tu levas as palavras,
deixa-me sem lembranças.
Como fotos rasgadas,
beijos negados
e amor não dito.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Estava eu a pensar
porque não te encontrei.
Se do vazio que já nos separa,
brotou um universo inteiro de dúvidas.

Foi um dia cinzento.
Chovia tanto, que mais parecia
um choro de desespero.
Do morno ao frio
num curto tempo.
Nem agasalhos eu tinha.

Caminhei pelas ruas empoçadas,
pesos e angústias carregava.
Os olhos secos, opacos.
A mente a se desiludir.
E me perguntava:
Para onde estou indo?
Para quem?
Ninguém respondeu!

Esqueço-me que
em tudo em que acreditamos,
sempre acreditamos sozinhos...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sentado no alto
Vejo muito longe o meu mundo
Vejo-te a ti no fundo!
Rodeado de verde flora
Nada traz a esperança
Pois cada destino tem a sua hora
E o meu há muito que foi embora…
Pergunto-me onde estás?
Ou talvez onde eu estive…?
Sempre foste tudo onde quis chegar
Não sou o príncipe que te faz sonhar
Mas jamais esquecerei esse belo olhar!
Sinto o vento no rosto
Talvez traga o teu perfume…
Fechos os olhos e imagino
O teu jeito querido, o teu sorriso sensível
Mas não tenho ilusão
Chegar a ti é inacessível!
Desperto com um ligeiro toque de um turista
Reparo que estou a ser egoísta
Estou mesmo no meio da escada
Não deixo passar ninguém
Nem ele, nem a minha sombra
Nem a mais linda “estrela-do-mar”…!
Um pássaro pousa perto de mim
E penso como somos tão iguais
E tu tão diferentes de nós…!
Contigo aprendi a sentir-me alguém
Deste-me a mão quando não tinha ninguém!
Antes uma página em branco, vazia, perdida
Hoje és de longe o melhor que esperei na vida!
Voltei a reparar no burburinho
De meia dúzia de gente
Toda contente num palavreado cómico
Mas eu continuo preso ao silêncio
Agarrado à solidão
Feliz com este meu amor platónico
Pode parecer saber a pouco
Mas pouco é o tempo que a vida dura
E muito é o contentamento que sinto
Por existires dentro de mim!
Por mais alta que seja a muralha que nos separa
O teu encanto para mim nunca terá um fim!

Sorrio, hoje, um sorriso mais bonito
Há nele uma sinceridade espontânea
Uma espontaneidade que, incontida
Deixa-me repousar por entre suas afetuosas palavras
Tranquilamente o amor dito ecoa
Cola pedaços, reunifica.
Os sentimentos partidos, partem pra longe
E cresce o desejo de não mais vê-los

A alegria me acoberta, não sufoca.
Minhas mãos gélidas agora estão quentes
Assim como meu coração, antes confuso
Agora pulsa pra perfundir felicidade
E meus olhos, como estão!
Brilham mais que estrelas
Tão pequenos quanto elas
Mas que de perto
São imensamente profundos

terça-feira, 8 de abril de 2008

O que faz de nós, o amor?
Nos larga num rodopio
onde nos perdemos
entre versos e histórias.

A vida em linha
se contorce.
Sentimo-nos dobrá-la,
como a indicar
a direção certa.

Os pensamentos loucos,
as distâncias infindáveis.
Tudo parece ter razão.
A razão do coração pulsar
forte e tranqüilo pela primeira vez.

sábado, 5 de abril de 2008

Tenho hoje no peito
uma mistura insolúvel de alegria e tristeza
A fluidez do encantamento
provém de seus gestos
da pureza do seu amor
Louco, tu me banhas
Faz-me parte deste oceano que nos separa
Mas sinto-me por vezes imobilizar-me
Pois que nossos sentimentos tão dispersos
Não se unem, nem se tocam
Como lava quente que repousa em rocha.

Chuva fria.

A chuva cai suave lá fora.
E sei que ela seria menos fria
Se tu estivesses ao meu lado.

Ouço uma canção de amor
Que mais bela e menos triste seria
Se seus versos distantes
Nos fizessem de fato amantes.
Como quem divide um lençol sob a lua
E contempla o mesmo amanhecer.

Ao findar, a música dá lugar ao silêncio
Que seria mais doce
Se sua voz branda
A dizer-me de amor, eu ouvisse.

Ah, se meu desejo fosse
de algum jeito mágico.
E num suspiro te trouxesse pra mim...