terça-feira, 15 de abril de 2008

Sentado no alto
Vejo muito longe o meu mundo
Vejo-te a ti no fundo!
Rodeado de verde flora
Nada traz a esperança
Pois cada destino tem a sua hora
E o meu há muito que foi embora…
Pergunto-me onde estás?
Ou talvez onde eu estive…?
Sempre foste tudo onde quis chegar
Não sou o príncipe que te faz sonhar
Mas jamais esquecerei esse belo olhar!
Sinto o vento no rosto
Talvez traga o teu perfume…
Fechos os olhos e imagino
O teu jeito querido, o teu sorriso sensível
Mas não tenho ilusão
Chegar a ti é inacessível!
Desperto com um ligeiro toque de um turista
Reparo que estou a ser egoísta
Estou mesmo no meio da escada
Não deixo passar ninguém
Nem ele, nem a minha sombra
Nem a mais linda “estrela-do-mar”…!
Um pássaro pousa perto de mim
E penso como somos tão iguais
E tu tão diferentes de nós…!
Contigo aprendi a sentir-me alguém
Deste-me a mão quando não tinha ninguém!
Antes uma página em branco, vazia, perdida
Hoje és de longe o melhor que esperei na vida!
Voltei a reparar no burburinho
De meia dúzia de gente
Toda contente num palavreado cómico
Mas eu continuo preso ao silêncio
Agarrado à solidão
Feliz com este meu amor platónico
Pode parecer saber a pouco
Mas pouco é o tempo que a vida dura
E muito é o contentamento que sinto
Por existires dentro de mim!
Por mais alta que seja a muralha que nos separa
O teu encanto para mim nunca terá um fim!

Sorrio, hoje, um sorriso mais bonito
Há nele uma sinceridade espontânea
Uma espontaneidade que, incontida
Deixa-me repousar por entre suas afetuosas palavras
Tranquilamente o amor dito ecoa
Cola pedaços, reunifica.
Os sentimentos partidos, partem pra longe
E cresce o desejo de não mais vê-los

A alegria me acoberta, não sufoca.
Minhas mãos gélidas agora estão quentes
Assim como meu coração, antes confuso
Agora pulsa pra perfundir felicidade
E meus olhos, como estão!
Brilham mais que estrelas
Tão pequenos quanto elas
Mas que de perto
São imensamente profundos