sexta-feira, 18 de abril de 2008

Tu vês a luz tão longe.
Isso me contenta.
Pior se tudo que visses
fosse frio.
Fosse um infinito
escuro e vazio.

No fim, o sol é sua fé
há muito desacreditada.

Quando a alegria é sonho
E a tristeza é vida.
Pergunto-te:
O amor, onde fica?
Olho o relógio e já é tão tarde…
Desta vez não estou preso ao computador
Não te vejo numa pequena imagem
Parecendo só um lindo sonho
Uma fugaz miragem!
Fechos os olhos e vejo-te
Como numa bela fotografia
Mas não sinto muita alegria,
Apercebo-me que já decorei
Todos os traços do teu rosto
Uma lágrima em segredo cai de saudade
Mas nunca por desgosto!
Hoje estou sentado junto ao mar…
Tal como eu está muito agitado
Ambos pelos mesmos motivos
Pelo Tempo…
Pelo tempo que teima em não passar
Com um leve trago de tristeza no ar!
O vento sopra-me forte no rosto
E com ele vem um ar frio,
Mas não tão frio quanto este vazio
Quase sem fim!
Sinto saudade, desabafo para mim
Amo-te de verdade!!!
Concentro-me na escuridão do mar
E nem a chuva que me está a molhar
A sinto cair…
Parece que tudo me passa ao lado…
Tudo menos o teu lindo sorriso
Esperança certa de um futuro
Presente num triste passado!
Caminho sozinho pela praia
Procuro um rumo, uma longa trilha
Que me leve a ti…
Volto a chorar, é difícil aguentar esta dor
Sentimento forte, um grito de amor
Sinto a tua falta, sufoca-me a alma…
Limpo as lágrimas
Penso com o coração…
Esperei muito tempo por ti
Por este Sonho, por este Amor!
Nada vai-me dissuadir
De lutar por ele até não ter mais forças
Nem mesmo um Oceano impede o meu desejo
De ser feliz ao teu lado
De sentir o calor do teu abraço
O carinho apaixonado
De um eterno beijo!
O teu encanto fez a minha vida renascer
Como o Sol do um novo amanhecer!
Hoje vejo a saudade como uma dor boa
Uma dor que me faz sentir vivo
Uma dor carregada de amor…
Sentir saudades tuas é viver o meu amor no seu esplendor máximo
A distância desafia o esquecimento
E principalmente coloca a nu a força de um amor
Um amor que se for forte é verdadeiro
E nem o tempo que é relativo
O impedirá de ser absoluto!

Solidão

Porquê sonhar ter alguém se já te tenho?
Procuro outros caminhos,
Mas a vida entra em fúria
E é pra ti que sempre venho…!
Só tu não mostras incúria
Na forma como me tratas!
Só tu me entendes…
Sinto o teu apoio
Nas tuas palavras ditas em silencio…
És-me fiel, nunca me deixas só…
Hoje és um reflexo de mim,
Um pouco daquilo que eu sou…
Sabes? No fundo já não sei viver sem ti…!
Sentado ao pé do mar
Vejo como uma onda é forte
Olho o céu, procuro um norte
Reparo no desenho
Que a minha sombra faz na água
Espelhando toda a minha mágoa!
Talvez leve consigo o medo
De alto sonhar!
O pôr-do-sol reflecte a sua luz
No enorme azul celeste
A noite que ameaça chegar
E uma saudade que vem…
Que olhar inesquecível
E eu sinto-me quase invisível
Apenas deixo na areia as pegadas
Que tarde ou cedo serão apagadas
Talvez pela chuva
Talvez mesmo pelas minhas lágrimas!
Espreito à beira da falésia
Como é grande o abismo que nos separa!
Esperança tão ténue
Chega mesmo a ser ingénua
Pintada num verde subtil muito fino
Incapaz de mudar o meu destino!
O tempo passou…
Os segundos, os minutos, as horas
Mas na verdade nada em mim mudou
Só agora dou conta
Que sempre aqui estive
No mesmo lugar onde me deixaste
Preso à mais ínfima esperança
Ao mais supérfluo dos teus defeitos
Ao mais singelo olhar da tua indiferença!
Amo-te por teimosia
Amo-te de sentimento, não por cortesia
Amo-te até de forma inconsciente…
E tu? Amas-me com um nada
Que de tão nada que é
Nem desprezo pode ser!
Se é errado amar-te
Errarei vez após vez
Enquanto não for pequena
A minha lucidez
Pois mais vale um dia sombrio
Que um dia sem sombra…
Não exijas nada de mim
E terás tudo…
Não procures o amor nas palavras,
Procura-o na ternura dos meus olhos
A cada instante que te vejo!
Em cada acção minha,
Tu estás sempre presente,
Viver por amor é uma sina,
Olha nos meus olhos, eles não mentem…!

Meio Poeta

O homem vive os sentimentos,
O poeta entende-os!
Um poeta não finge muito menos mente,
O poeta sente!
Qualquer poeta aceita a dor como sua.
Procura o sol mas encontra a lua…
Inspira-se no sofrimento,
Refugia-se no seu silencio,
A tristeza é sempre o seu momento…!
Num poeta não conta a idade,
Apenas a sua maturidade
Para entender o seu mundo
Bem lá no fundo!
Um poeta escreve com arte e talento,
Sem nenhum fingimento
Tudo o que lhe vai no peito!
Só sou meio poeta,
Tenho a alma, não tenho o jeito…!
Acertaram ao dar-te o nome de flor
Nunca se sabe o teu cheiro
O teu norte, a tua luz
Apenas o teu sabor…
À primeira vista parece ser algo amargo
Ausente por alguma ferida
Mas em cinco segundo decifra-se a primeira pista
E descobre-se como é tão doce pronunciar
Margarida!
Pessoas como tu contam-se pelos dedos
E uma palavra faz-me lembrar de ti,
A saudade!
Não me importa saber os teus segredos,
Nem nada da tua intimidade
Só me interessa o que o teu olhar me diz
Essa tristeza contigo nada condiz…!
Esse sorriso radiante
Aprazível, mágico, exuberante
Capaz de inspirar para escrever
Quem nem sequer sabe ler!
Metade da tua beleza está nos meus olhos
A outra metade está no teu encanto…!

Amor Escondido

Explode a vontade de ter dizer;
Aquilo que a própria razão nega;
E que o meu coração esconde…

Cada vez em que te posso ver;
Toda a minha alma sossega;
Nascendo a esperança não sei d’onde…

No fundo o que eu estou a fazer é sonhar;
A fraqueza tornou-se no meu ponto forte;
Mas o hoje traz a certeza do amanha perdido…

A realidade diz-me que não te posso amar;
Teus olhos são ausentes, teu carinho já é uma sorte;
Apenas te posso dar o meu amor escondido!
Árvore que vejo da minha janela
É tão grande a tua altura
Grande essa solidão
Tão pouca parece ser a tua ventura!
Quantos ramos tu terás?
Talvez cada galho um desgosto
De um Inverno logo e penoso
Longe de um soalheiro Agosto!
Nem acredito que já mal folhas tens
Cada folha um sonho teu
Alguns já por terra
Como cinza de um lume que já ardeu
Outros já velhos, amarelecidos
E esquecidos, presos ao vazio
À espera que o vento os leve
No próximo sopro deste ar frio!
Em breve ficarás despida
Perderás o que te resta da alegria da vida
E eu tal como tu ficarei à espera
De voltar um dia a ser o que era!
A noite já vai alta…
Deitado na cama, geme uma a uma
As notas de uma melodia
Que desafia o silêncio!
Tudo o que vejo é quase só escuridão
Apenas uma luz tímida
Relutantemente entra pela janela!
Levanto-me e espreito através dela…
Procuro-te no horizonte…!
Em vão olho pró céu
À procura de um ponto que me guie a ti!
Procuro o teu sorriso
Mas nada mais vejo que escuridão…!
Olho para trás…
Mal distingo as formas do quarto
Está tão escuro
Já nem sei se é de ser tão tarde
Ou da solidão provocada pela tua ausência!
Calmamente volto-me a deitar
Fecho os olhos…
Como um passe de mágica
O verde surge de rompante
Iluminando tudo à minha volta
Que brilho tem esse sorriso…!
Acelera o ritmo do coração
Estala agora cada vez mais alto
O som das cordas em cada acorde da guitarra
Toda a minha alma vibra!
Dou por mim a sorrir…
Não por ser um homem feliz
Mas por ter a felicidade
De fazeres parte da minha vida!
Vou-me deixar assim ficar…
Até o sono chegar e os sonhos levarem-me
Para um mundo de fantasia…
Para um mundo que se não fosse a sonhar
Jamais eu poderia estar…!
Hoje perdi a esperança
Morreu o meu eu…
Toda a luz se perdeu
Num gesto mais atento
De pura confiança!
Falta-me talento
Falta-me o meu mundo
Faltas tu no fundo!
Tal como o vento
Forte fraco ou lento
Só damos por ele
Quando nos toca
Todo o resto não importa
Batemos com a porta
E acreditamos que o amanha
Já não volta…!
Não perguntes mais por mim
Dói demais e tua ausência
Para perceber que essa indiferença
Mata o que de melhor
Posso sentir por alguém!
É tarde…
O tempo já não volta
E eu…? Eu não serei mais o mesmo…

Devolva-me teus versos!
Não por direito
posse ou orgulho.
São a parte de ti
que tenho, nada mais.

Se tu levas as palavras,
deixa-me sem lembranças.
Como fotos rasgadas,
beijos negados
e amor não dito.