quarta-feira, 15 de julho de 2009

Amizade

Ontem acordei cheia de sono, meio cansada. Bom, saí pra farra na sexta e voltei às 2:30, óbvio que me sentiria assim. Ainda inventei de fazer o almoço pra mim e minha mãe. Valeu à pena, a massa ficou maravilhosa. Aproveitei o cansaço e também varri a casa. Insana! Mas na hora de sair, não pensei duas vezes. Mesmo com uma vontade incrível de comer e dormir, eu me arrumei, catei os presentes e sai determinada. Me controlei pra não dormir no ônibus. Imagina se eu perco o ponto...
Durante a viagem, custei a entender o que era aquilo tudo. Eu ali sozinha no ônibus, aquele silêncio, a demora e aqueles embrulhos no meu colo. Parecia tão solitária a minha jornada... Quando estava quase chegando no shopping, ouvi o sinal de mensagem do celular que me despertou do transe. Vi a mensagem da Renata e já sorri. As coisas começaram a fazer algum sentido. Caminhei pelos corredores do shopping ainda à procura de uma conexão com aquele momento e, de repente, vi bracinhos ansiosos sinalizando o caminho. Sorri de novo. A Renata com aquele sorrizão dizendo "amiiiiiga" e o cumprimento de praxe: abraço de amiga, daqueles inconfundíveis e a certeza de ter chegado no meu lugar. Alguns minutos de papo e avistamos a Carol chegar com seus fragmentos estéticos vermelhos e o Caco perto do coração. Ela sempre com aquela carinha de caçula da casa, aquela que chega de mansinho em festa de adulto, se espalha no sofá e pergunta se não tem uma música mais legal pra tocar... Mais sorrisos e um abraço de "quem te entende do início ao fim..." Depois de alguns minutos, o lugar em si já não tinha mais importância. Poderia ser qualquer um porque eu me sentia invariavelmente em casa. Aquela solidão da viagem, aquele silêncio estranho, aquele sono de noite pouco dormida... Tudo reduzido a pó, fulminado pelos sorrisos. Em algum momento a caçula nos lembrou de mudarmos de ares.
Passeamos pelo lugar seguindo certo código de aproveitar o espaço e o tempo, mas na verdade, o melhor lugar é aquele onde sentamos diante de uma mesa com comidinhas gostosas, algo pra beber e toda aquela afinidade pra desfiar em palavras cantadas por nossas vozes tão familiares nossos sonhos e desamparos. A Thaís seguiu a tradição de um eterno estar a caminho e ser avistada de longe sorrindo um sorriso de travessura, daquelas que a mãe já reclamou mil vezes. Mas ontem ela foi a última a sair da festa. O café pós-existencialismo woodaleneano em Barcelona foi filosófico! E assim terminamos o nosso dia de Natal...
Naquela mesa do Bistrô tive uma sensação difícil de explicar. Eu olhava pra elas, falava com elas e tudo parecia tão natural e reconfortante que poderia jurar que elas estiveram sempre na minha vida. Porque mesmo que os laços que se tem com a família sejam indissolúveis e extraordinários, nós quatro nos identificamos como pessoas que, embora não sejam unidas por consanguinidade, tem umas pelas outras a fraternidade mais bonita de todas: aquela fruto da liberdade! Estamos sempre entre os prós e os contras, cultivando a presença voluntária uma da outra. Parece um vínculo frágil, mas não é! Escolhemos estar juntas e sermos irmãs nesta vida que nos desafia e encanta. Esse sentimento nos fortalece e acredito que nos dá uma linda esperança de que se é possível escolher em quem confiar e ter a confiança como resposta, então tudo de bom é possível. Na minha pouca experiência, posso dizer que esse estar feliz incondicional que a presença delas me traz só pode ser chamado de amor, como bem disse a Renata.

2 comentários:

Renata Figueiredo disse...

Olha gente, eu sou a Renata.

Amiiiiiiiga, amei o texto!

Amo você eternamente!

Mônica Lobo disse...

Love you too! :D