quarta-feira, 22 de julho de 2009

O início do fim.

As melhores histórias deixam a amizade como herança. Além de você ter vivido momentos bons e se encantado com experiências novas, no fim você pode andar tranquilo pela rua. Se você esbarrar por acaso ou encontrar aquela pessoa que fez parte do seu dia-a-dia, não há constrangimento. Você olha pra ela de cabeça erguida, sorri e acena ou pára pra dar aquele abraço saudoso demonstrando o quanto aquela pessoa faz falta. Já que o fim é dolorido, melhor que seja amigável e honesto.

O ínicio do fim acontece quando a gente tem que reorganizar nossa rotina que acaba ficando entrelaçada com aquela pessoa. Você tem que lembrar que não vai mais chegar mensagem de boa noite no celular antes de você dormir. Se você estiver na varanda, olhando a rua, não vai mais ver alguém chegando naquele horário de sempre. Não vai mais implicar com aquela blusa que ele não tira do corpo e nem vai mais vê-lo fazendo caretas porque você demora pra se arrumar. O jeito de olhar, de beijar que são únicos de cada pessoa, vão se diluindo na memória. O sabor e o cheiro, antes tão familiares e sedutores, vão perdendo o vigor e desbotando como a imagem dos dois juntos. Mais tarde, é provável que os lugares que costumavam ir ganhem novas lembranças. Serão sempre lugares especiais, mas o sentimento de estar neles não será mais o mesmo.

A gente começa a se enxergar preenchendo sozinho todos os espaços que antes eram compartilhados. E nos lembramos que somos capazes de fazer isso. Na varanda, você olha as estrelas e conversa com um amigo sobre o dia divertido que tiveram. À noite, ouve música no celular até dormir. E começa a reparar nos encantos de outras pessoas interessantes que aparecem pelo caminho.

Quando essa reorganização não dói mais, estamos livres e prontos pra começar de novo. Outra história, outros dias compartilhados, outras possibilidades de sermos felizes.

11 comentários:

Mattheus Rocha disse...

A famosa "fase de transição". Quem nunca passou por isso? Com poesia, fica mais bonito.

Mônica Lobo disse...

E mais otimista também...

Mattheus Rocha disse...

Com certeza, Mônica.

Eliana / Lu Maria disse...

Ótimo texto! Quantas vezes já vivi isso...?! Fase que dói e sara. Como alguns amores.

Axé, Mônia!
LU MARIA

Christine disse...

Querida!
O sentimento que tive é que as pessoas acabam passando na nossa vida e deixam suas marcas no nosso corpo, no nosso coração, nos lugares, na nossa história…. Mas o tempo sempre se encarrega de deixar somente lembranças.... e estas sim são para sempre. Doem mais quando são boas, mas também conseguem nos fazer sorrir no meio de lágrimas. E a frase “ Vai passar” é uma verdade. E você conseguiu retratar isto como ninguém. Você é muito especial, amiga.
Beijos
Chris

Mônica Lobo disse...

"Lembranças que nos fazem sorrir no meio de lágrimas": lindo, Chris!!! Exatamente isso!

Tatiana disse...

Nossa amiga...vc soube expressar td o q significa esse momento num texto muito bonito e bem escrito...!!!
Acredito q na nossa vida nada é por acaso e sendo assim as pessoas que passam pela nossa vida passam por um motivo, pra trocar experiências e ensinamentos e assim continuar na estrada da vida....Essa fase passa e logo chega alguém q não virá apenas de passagem, mas q virá pra ficar de vez...td vai dar certo na hora certa....vc merece e será muito feliz tenho ctz...!!!
Te adoro amigaaaaaaaa...!!!
beijoooooo

Mônica Lobo disse...

Algumas pessoas são belas passagens. Outras são belas estadas onde estarei...

Raquel disse...

Somos diferentes personagens vivendo numa mesma história que sempre se repete. Nunca acaba. O "vai passar" muito nos incomoda. Acreditamos, sim, que isso realmente acontecerá, porém o problema é que hoje ainda não passou. Lembranças são boas apenas quando conseguimos superar tristezas, transpor barreiras ou, ainda, ter forças encarar uma realidade. Parece até clichê, mas o "Por quê?" não sai da nossa da nossa mente... enfim, bem dissera Einstein: É no meio da dificuldade encontra-se a oportunidade. É nisso que prefiro acreditar.

Raquel Monico, fã da turma de vocês !

Mônica Lobo disse...

Quando estamos nessa transição, dispomos tanto do contato com nós mesmos que é possível, sim, enxergar coisas que antes eram ocultas. É um momento de grandes descobertas!

Eliana / Lu Maria disse...

Nada mais difícil... se descorir só e ter de se reiventar... mas que felicidade é, (re)descobrir que é possível!

Lindo post!

Eliana