quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O coração é o alarme dos pensamentos. Ele dispara ao menor sinal do amor.
Se minha vida fosse um gráfico, seria um ECG!!!
Um EcG!!!
Um EcG!!!
Um EcG!!!
Um EcG!!!

Agradeço



Agradeço minha saúde boa que só vendo! Físico ok, funções vitais ok, emoções se rearranjando neste fim de ciclo de nascimento. Mesmo os dias de incerteza, as dúvidas e minhas decisões que, certas ou erradas, foram minhas. Responsabilidade minha, mérito meu também. As minhas iniciativas, as boas respostas, as respostas que não vieram e as soluções que eu nem notei conseguir. A persistência de seguir os meus desejos e as lágrimas quando eles pareceram não ser realizáveis. Alguns ainda parecem... E eu continuo.
Agradeço os fins, os rompimentos, os laços desfeitos, as declarações honestas e as alegóricas. Os começos delirantes, excitantes. Os percursos embriagantes. A constância, o aleatório. As decisões felizes, os desejos possíveis. O bem-querer mais revigorante. Os olhares doces, os olhares perdidos, os olhares viciantes. O perfume do amor disperso no vento, deixando os poros, embaçando as janelas ao meu redor. Os sorrisos, os beijos, milhares de abraços carinhosamente doados. Os dias solitários e necessários. As desilusões e as chances que me concedi de acreditar que as coisas e as pessoas podem mudar.
Agradeço as viagens que fiz, o sol que corou minha pele, as trilhas que exauriram meus músculos. As pessoas nas fotografias e no coração. As malas feitas e desfeitas. As roupas sujas de lama, as roupas macias com cheiro de casa, as roupas novas que adotamos pelo caminho. Cada minuto de estrada, cada sorvete derretido e cada vinho que me embriagou de alegria. O mar ondulante e salgado. A água gelada da serra, o ar frio nos meus pulmões, minhas mãos geladas, minhas bochechas vermelhas. A paisagem que sempre me faz pensar “Se o céu fosse verde e as árvores azuis?”. A chuva da qual escapei algumas vezes, as festas nas quais me perdi na multidão.
Agradeço a existência da amizade. Meus amigos, queridos amigos de tantos anos. Eles que tem o dom de me fazer acreditar que tudo vale à pena. Meus irmãos por escolha, meus companheiros de aventuras, minhas amigas confidentes e confiáveis. O amor carinhoso que me dedicam e que eu dedico a eles. O amor da afinidade de vivermos as mesmas aflições e desejarmos o mesmo futuro feliz.
Agradeço àqueles que me doaram a vida, o sangue que me permeia, essas células programadas para se multiplicarem até a exaustão. As pessoas que são meu berço, meu caminho, meu caráter, meus valores. Minha família que vive o tormento típico de procurar o equilíbrio entre me estimular a crescer e me proteger do próprio crescimento. As pessoas mais vitais, o vínculo mais incrível que eu pude ter. O laço mais macio e forte existente em todo o universo que eu conheço! E, quem sabe, dos universos que não conheço também. Esse amor infalível! Os pais que são paz e o irmão, minha outra metade de vida.
Agradeço poder agradecer com palavras escolhidas com carinho e combinadas para agregar valor à beleza deste mundo doido. Ter conhecimento suficiente para combinar saberes e memórias num texto simples, mas sincero. Poder olhar para as minhas próprias palavras e saber que por elas alguns olhares atentos e curiosos vão passear.
Obrigada.

Três décadas de pensamentos.

Meus pensamentos se espalham pelo quarto como roupas que transbordam do armário bagunçado. O que devo vestir, o que devo guardar, do que devo me livrar de uma vez por todas? Talvez quando pensamentos novos chegarem, eu possa me despedir de outros tão costumeiros quanto inúteis. Mas todos parecem tão familiares, mesmo os surrados, esfarrapados e que não cabem mais em mim... Foram meus um dia e ainda estão aqui, afinal de contas. Eles mostram pra mim suas etiquetas vencidas, suas cores fora de moda como me dizendo “o que ainda faço aqui?”. Nem mesmo eu sei... Hábito, apego, necessidade? Enquanto estão forrando meu chão de ideias, ainda os tenho como base. Se abro as portas e esvazio as gavetas, as prateleiras e atiro os cabides pela janela, o que me resta senão um vazio irracional e confuso. Creio ser melhor pra mim arrumar as peças, separa-las em pilhas que fazem sentido e depois me dispor a sacrificar aquelas que não me pertencem mais. Deixo o quarto arrumado, aparentando espaço demais e começo a pensar o que sinto, o que vejo, o que quero. Talvez precise mesmo de espaço! Não é fácil organizar um quarto que completa três décadas sem algum sacrifício. Nesse cômodo limbo vou deixando uma existência infantil para tentar descobrir como é crescer sem perder aqueles tons mais singelos. Abraçar as cores quentes e desafiadoras, sem esquecer daquele vestidinho florido que me fazia parecer uma personagem de uma pintura impressionista. Ser real e ser humana.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Desilusão

A desilusão é um entorpecente bastante eficaz. Limpa a mente, esclarece as ideias, nos faz pensar de um ponto de vista mais neutro. Não há emoções intensas envolvidas. É um torpor silecioso onde se ouve apenas a própria voz te perguntando “onde estava a sua cabeça?” A gente nunca sabe. Estava recheada de fantasias românticas, de expectativas sem fundamento, euforia apaixonada? Talvez um pouco de cada.
Sei que desiludidos veem tudo com seriedade demais. Qualquer cena de amor num filme parece algo incompreensível e ilusório. Não se pode compartilhar a emoção nos olhos daqueles personagens apaixonados. O envolvimento amoroso visto nos casais pela rua parece exagerado e coreografado para parecer belo e colorido, fazendo você se sentir em preto e branco. Nem se consegue ficar mais triste. Já passou. Ficou só uma apatia que nos protege de impulsos precoces de apaixonamento, até que estejamos reestruturados pra tentar de novo...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O quanto os sentimentos intereferem no julgamento?

Você se sente linda, radiante, pronta pra se apaixonar de novo. Mais que isso, você deseja se apaixonar de novo, sentir o coração aos pulos, esperar os telefonemas, os reencontros, os bejios... Tudo parece muito empolgante. Então, você conhece um cara. Ele te elogia, faz cara de quem está encantado, é gentil e aguarda o momento certo para dar o primeiro beijo. Pode ser que o beijo comece meio desajeitado, mas depois ganha uma fluidez perfeita. O abraço é aconchegante, o cheiro dele é muito bom. Você não quer ir embora nunca mais.

Ele te liga de novo, vocês começam a se ver sempre. Rola intimidade e as declarações dos apaixonados sedimentam o início do relacionamento, certo? Talvez pra você sim. Mas ele logo começa a não ligar, aparece quase nunca e um belo dia, quando você diz que não quer mais, ele diz que te ama, mas não quer se comprometer. Essa contradição permite duas interpretações: ele está mentindo ou ele não sabe o que quer.

Dizem que as mulheres acreditam no que querem acreditar. Se iludem porque querem se iludir. Eis uma boa forma de se eximir da culpa. Em tudo que acontece entre duas pessoas, a “culpa” por qualquer coisa é tão compartilhada quanto os beijos. Se alguém se ilude o outro alimenta a ilusão, se alguém acredita, o outro deu argumentos pra isso. Talvez seja um erro clássico investir e desejar correspondência de sentimentos de alguém que os mantém na clandestinidade para não interferirem na sua liberdade. Mas como ter sentimentos que não interferem nos julgamentos? Como separar o amor ou a paixão que você sente por alguém, de um personagem que ele criou e mantém até onde consegue ir sem se envolver?

Não é justo julgar as pessoas que se apaixonam como ingênuas ou iludidas. São apenas pessoas abertas pra se envolver, amar e não tem medo disso. E exatamente por causa dessa transparência, se expõem demais. O problema é quando se deparam com pessoas que se mantém apenas na superfície. Na tentativa de manter a liberdade, permanecem aprisionadas nas próprias limitações. Medo de se magoar? Acredite, todos sobrevivem. E depois tentam de novo, porque se apaixonar é o que há de melhor!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A verdade

Lendo "Quando Nietzsche Chorou", comecei a pensar na tal busca pela verdade e suas implicações. A sua celebre frase “Torna-te quem tu és” parece simples. De fato, é uma frase curta, direta e objetiva.

Como diante de uma indagação, a resposta mais simples tende a ser a verdadeira, parece que a verdade guarda as mesmas características dessa frase. Mas, quando observo a dinâmica da nossa vida em sociedade, ela me leva a crer que a verdade não seja assim tão generalizada e indissolúvel,. Talvez a verdade seja relativa e particular em muitos níveis de entendimento. Enquanto a rotina nos traz padrões a serem seguidos, as mentes inquietas questionam onde se encontra o nosso lugar individual e verossímil no meio dessas regras. E até que ponto as generalizações representam mentiras e as indagações particulares representam verdades?

Na mesma semana, quando assisti ao filme “E sua mãe também”, acompanhei a trajetória de uma mulher que decide se desgarrar da vida de mulher-casada-traída-pelo-marido-desprezível para embarcar numa aventura sem preconceitos ou questionamentos de futuro. O problema é que ela só resolve se deliciar com escolhas improváveis porque sabe que sua condição de saúde é deteriorante e resta a ela pouco tempo de vida. Então, ela resolve viver uma verdade alternativa àquela de toda a sua vida e aprecia momentos prazerosos nos quais ela parece sorrir de verdade, em oposição clara a sua expressão de desilusão no início do filme. Ao final da história, fiquei imaginando quem seria aquela mulher. A resignada do início, a desgarrada do final? Ou conteríamos essas facetas variadas dentro de nós, o que nos tornaria tão interessantes e complexos em nossas próprias verdades? E porque situações críticas costumam ser as únicas alavancas para buscarmos novas perspectivas, aquelas do tipo que fazem nossa vida parecer uma mentira?

Talvez o “Torna-te quem tu és” não seja tão simples assim, porque saber quem somos não é uma resposta curta, direta e objetiva. Prefiro seguir a linha “Torna-te aquele que é feliz”, uma forma mais ampla e menos opressora de buscar a si mesmo, estando nós mergulhados na rotina ou nas histórias de aventura; no rigor das divagações teóricas ou no aconchego da filosofia de botequim.

domingo, 16 de agosto de 2009

Dúvida.

Falo muito sobre sentimentos...
Me pergunto se eu realmente acredito no amor...
Talvez falar seja uma forma de materializá-lo!

sábado, 8 de agosto de 2009

No interior, o dia leva uma vida. Na cidade, a vida leva nossos dias.

Faz algum tempo, ando me perguntando sobre o sentido da vida. Tenho um amigo que diz que eu tenho preocupações de pessoas com 10 anos a mais de idade que eu. Engraçado porque minha mãe sempre disse que eu sempre fui mais velha que minha idade cronológica. Minhas indagações constumam vir muito antes dos fatos da minha vida me gerarem dúvidas, como se eu me antecipasse. Me pergunto se isso não seria uma maneira de me sentir mais segura...
Ando testando meus quereres. Não é nenhuma novidade, mas me refiro a saltos maiores. Estou experimentando a vida no interior. Ritmo mais lento, ambiente mais saudável, o tipo de lugar que você anda pela rua e todos se comprimentam. Acho isso acolhedor. Me encanta como sobra tempo para colher flores e fazer um arranjo pra enfeitar a casa. Há uma flor vermelha e amarela que despenca ainda bonita. Coloco algumas num copinho verde, fica lindo! Gosto muito também de caminhar pela rua, pegar uma tangerina no quintal alheio e ir comendo feito criança travessa. Quando olho pela janela e vejo poucas casas e muitas árvores, sinto-me renovada e de certa forma protegida. O ar é muito puro e faz muito frio às vezes. Eu adoro! No verão faz calor suficiente pra tomar banho de rio, no inverno faz frio suficiente pra você querer ter uma lareira em casa e um estoque de vinho. Gosto dessa coisa de deixar a bicicleta no quintal e não me preocupar se alguém vai roubar. Gosto da sensação de andar pela rua e não me sentir ameaçada. Ser assaltada é uma experiência muito desagradável, assim como qualquer tipo de violência. Quando estou nas ruas lotadas do Rio me sinto muito frágil. Detesto essa sensação de isca de tubarão.
Costumava enxergar o interior como um lugar de passeio, mas ando repensando meu referencial. Me ponho em teste pra saber se há na cidade mais ou menos atrativos pro meu dia-a-dia. É uma espécie de comparação pra ver onde há mais coisas essencias pra minha vida. Onde houver menos, faz sentido que seja escolhido como local de passeio. Aliás, encontrar cachorros fofos, passarinhos e flores dos mais diversos tipos no caminho para a padaria deixa o dia bem mais bonito. Alguns podem até dizer que com o tempo a gente se acostuma e tudo deixa de ser especial, passa a ser rotina. Acho que pode ser verdade, embora ter uma rotina dessas seja mais agradável do que uma rotina de engarrafamento. Claro que a vida na cidade não é feita só de mazelas. Sabemos os atrativos, vantagens e facilidades oferecidas por um cotidiano cercado de opções de lazer, pessoas, cultura e tudo mais que há numa cidade como o Rio. Da mesma forma me pergunto se todas essas possibilidades não seriam uma maneira de aliviar a sensação de isolamento a que essa vida metropolitana nos remete... Algo a se pensar.
Em momento algum penso em radicalizar e virar um bicho-planta, como diz meu irmão. Busco apenas reflexão e alternativas. Desejo o conforto da sabedoria de que a vida pode ser várias numa só, que podemos mudar de ideia, de endereço, de estilo de vida e continuar sendo a mesma pessoa. Cidadão do mundo ou interiorano, acredito que somos várias possibilidades numa pessoa só.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Você foi o mais doce desatino.

Um romance desvairado!

Um finito sem destino.

Um sem fim desacreditado.


Você foi mais um experimento.

Da minha alma-cientista.

Em busca do amor: o sentimento!

Do qual sei mais a teoria.


Despi-me do manto branco.

Há muito já esfarrapado, furado, ferido.

Dei-me ciência e me espanto!

Ficou, pelas horas, o sonho despercebido.


Como se prova tanto da vida

Com tal fome e voracidade.

Para encontrar a si mesma.

Tão longe da verdade?