quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Três décadas de pensamentos.

Meus pensamentos se espalham pelo quarto como roupas que transbordam do armário bagunçado. O que devo vestir, o que devo guardar, do que devo me livrar de uma vez por todas? Talvez quando pensamentos novos chegarem, eu possa me despedir de outros tão costumeiros quanto inúteis. Mas todos parecem tão familiares, mesmo os surrados, esfarrapados e que não cabem mais em mim... Foram meus um dia e ainda estão aqui, afinal de contas. Eles mostram pra mim suas etiquetas vencidas, suas cores fora de moda como me dizendo “o que ainda faço aqui?”. Nem mesmo eu sei... Hábito, apego, necessidade? Enquanto estão forrando meu chão de ideias, ainda os tenho como base. Se abro as portas e esvazio as gavetas, as prateleiras e atiro os cabides pela janela, o que me resta senão um vazio irracional e confuso. Creio ser melhor pra mim arrumar as peças, separa-las em pilhas que fazem sentido e depois me dispor a sacrificar aquelas que não me pertencem mais. Deixo o quarto arrumado, aparentando espaço demais e começo a pensar o que sinto, o que vejo, o que quero. Talvez precise mesmo de espaço! Não é fácil organizar um quarto que completa três décadas sem algum sacrifício. Nesse cômodo limbo vou deixando uma existência infantil para tentar descobrir como é crescer sem perder aqueles tons mais singelos. Abraçar as cores quentes e desafiadoras, sem esquecer daquele vestidinho florido que me fazia parecer uma personagem de uma pintura impressionista. Ser real e ser humana.

2 comentários:

Eliana / Lu Maria disse...

E o que fazer se a arrumação diz teimosa que é vazio? Que é falta, ausência, saudade...? E quando isso nem dói mais, só existe!

Axé.
LU MARIA

Mônica Lobo disse...

Então, preciso descobrir como se enche os espaços vazios sem preenche-los com ansiedade, angústia e desesperança. Que a teimosia seja da minha alma em acreditar nas intenções do mundo de me completar.