quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Qual o seu melhor defeito?


Noutro dia pedi a uma amiga que listasse meus principais defeitos e minhas principais qualidades. Ela não só listou, como também explicou cada uma dessas características, apontando o lado positivo e negativo de cada uma delas. Ela sempre acreditou que tudo tem um lado bom e um ruim. Eu, hoje em dia, entendo isso e concordo com ela.
O que mais me chamou atenção foi o determinismo: a principal característica das pessoas racionais. A busca incessante pela explicação lógica, pela razão científica, pela crudez dos fatos. Mesmo que essa maneira de agir não gere bem-estar, o determinista mantém a linha de raciocínio nem que seja pelo prazer de provar que estava certo. O que acaba incluindo no pacote determinista, a pretensão de brinde.
Quando ela, que me conhece há dez anos, me disse isso, eu fiquei muito feliz por perceber como melhorei ao longo desse tempo. Como fui abrindo espaço na minha mente e na minha vida para coisas que não tem explicação lógica, fui deixando de me preocupar em ter razão e comecei a investir em ser feliz. Claro que ainda tenho um “quê” de querer entender o universo que me cerca, mas de um jeito curioso e mais saudável agora. Faz um bem danado se dar conta que nossa função no mundo é saber que não devemos ter uma função e sim apenas percorrermos nossas existências tão singulares. Ao invés de função, acredito que temos importância. E ser importante para si mesmo, para alguém, alguns e para o mundo demanda muito mais que entender porque a água cai do céu ou porque o coração bate sem parar. Tão enriquecedor como saber essas respostas, é sentir as gostas de chuva tocando a pele, o cheiro da terra molhada, o toque das mãos de alguém que se ama junto de você. E o coração pulsando de alegria e encantamento. Entender a vida e vivenciar o entendimento.
Se meu maior defeito é querer entender tudo, minha maior virtude tornou-se a capacidade de entender que isso não é tudo.

O que você quer ser quando crescer?

Alguns vão dizer que você está ficando velho, pra desafiar seu estado de espírito. Mas você está se sentindo tão leve... O telefone toca o dia todo, as mensagens chegam e cada uma dessas palavras são ingredientes de uma infalível receita de juventude. Você vai receber carinho, abraços e notar que alguns te esqueceram e outros foram esquecidos por você. É hora de reatar amizades ou perdê-las pra sempre. A gente se perde com o tempo... Há os que te querem bem, mesmo em silêncio. Pare para ouvi-los também. Vale à pena. Talvez você ganhe bombons de uma amiga ou um livro do namorado. Não há regras. Sentimentos não vêm embalados pra presente. Nesse dia, a pessoa mais importante pode nem aparecer. Pode nem se lembrar que aquele dia é o dia. E nem por isso ela gosta menos de você. Ela pode ser distraída e comprar o sapato no número errado. Ou, na pressa do dia-a-dia, esquecer que você não fica bem de amarelo. O que eu duvido é que ela deixe de pensar em você um só dia do ano. Quer coisa melhor que isso? Se os implicantes estão errados e você não ficou velho, é provável que você queira da sua mãe aquele bolo delicioso que só ela sabe fazer. Quem sabe você passe a tarde inteira fazendo brigadeiro e enchendo bolas. Senão, podem estar preparando tudo sem você saber. Aposto que no momento da surpresa, até chapéuzinho você vai usar... É irresistível! Mesmo que resolva sair e passar a noite num bar, não vão faltar pessoas a sua volta cantando “aquela musiquinha” e rindo da sua cara vermelha de vergonha. A cada ano, temos um dia especial quando o mundo conspira a favor da nossa alegria. Neste dia, a gente pode ser o que quiser. Ser criança é uma das escolhas mais freqüentes. E mais felizes.