segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Infernal

Rio, filial.

Matriz, inferno.

Do céu absoluto,

azul interminável,

veem-se pequenos flocos,

como neve no inverno.

É chuva do ar,

nós, condicionados,

a respirar.


Flores nos vestidos,

nos jardins.

Eles espiam.

O vento, cúmplice.

Tempestade?

Não, saias voadoras!


O sol, onipresente.

O suor amolece,

nos faz brilhantes.

Irradia divina luz

incandecente.

Derrota os espíritos.


A praia, refúgio.

Oásis alucinante.

Generosa, indomada.

Euforia lascinante.

Os brotos desnudos,

germinam da areia clara.

Sem raízes, sem chão.

Apenas o momento.

No mar a sede jaz.

O peito dilata,

suspiro salgado,

espumante.


À noite,

dilui-se o rastro.

Impiedoso,

o calor não cessa,

nos consome.



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