terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mulher, como a lua.

Mulher, como a lua, não vive um mês, vive um ciclo. O primeiro dia, renasce e, pelos próximos treze vai ganhando luz, tem sua silhueta preenchida pouco a pouco, como um registro fotográfico da aparição de um sorriso. Olhos brilhando, cabelos macios e pele de pétala de rosas: tudo convida ao pecado, ao deleite. E no auge da sua paixão, cheia da própria beleza, ela esmorece devagar. Antes plena, agora constrói em dez dias um dessorriso, uma sombra inevitável. Um desalento destemperado e voraz que cresce e devora os olhos, a pele, o cabelo... Traz essa dor de carne ferida por dentro. O mundo vai sumindo até que não sobra nada, nem essa sensação de ventre fertilizado. O corpo aborta a escuridão das entranhas. A lua se encolhe e repousa, ninguém a vê. Depois ressurge numa estreita promessa de sorriso. Segue seu destino de sempre ir embora só para voltar e brilhar ainda mais...