quarta-feira, 13 de maio de 2009

Apego

Apego: agarrar-se como quem se prende a um bote salva-vidas no meio do mar. Única chance de sobrevivência, única saída. O resto é oceano vasto, mar sem cabelos, água salgada que tira a vida da gente. Alguém que vê o outro assim, se apega às pessoas, não se une a elas. Porque a união tem sua elasticidade. O outro pode ir pro Japão, mesmo assim você sente que ele está perto e você de alguma maneira próximo dele. Vocês estão conectados pela crença de que um faz parte da vida do outro. Apenas isso. Já é suficiente.
Mas se você se apega, você tem o outro como referência única de resgate. Você precisa dele pra viver, pra dar sentido a sua existência como se fosse uma bússola pra um marinheiro. Na falta do outro, você naufraga. Aqueles milhões de litros d’água invadem seus pulmões, te sufocam e ainda assim você não vê as bolhas de ar. Você sequer enxerga pra onde elas estão indo, subindo... Você não quer subir. Você quer estar submerso, no silêncio escuro, úmido e frio que justificam seu apego. Porque se o outro não precisa de você, que função você teria? Se o outro te amar, o que se faz com isso? Não se faz, se vive!