sábado, 8 de agosto de 2009

No interior, o dia leva uma vida. Na cidade, a vida leva nossos dias.

Faz algum tempo, ando me perguntando sobre o sentido da vida. Tenho um amigo que diz que eu tenho preocupações de pessoas com 10 anos a mais de idade que eu. Engraçado porque minha mãe sempre disse que eu sempre fui mais velha que minha idade cronológica. Minhas indagações constumam vir muito antes dos fatos da minha vida me gerarem dúvidas, como se eu me antecipasse. Me pergunto se isso não seria uma maneira de me sentir mais segura...
Ando testando meus quereres. Não é nenhuma novidade, mas me refiro a saltos maiores. Estou experimentando a vida no interior. Ritmo mais lento, ambiente mais saudável, o tipo de lugar que você anda pela rua e todos se comprimentam. Acho isso acolhedor. Me encanta como sobra tempo para colher flores e fazer um arranjo pra enfeitar a casa. Há uma flor vermelha e amarela que despenca ainda bonita. Coloco algumas num copinho verde, fica lindo! Gosto muito também de caminhar pela rua, pegar uma tangerina no quintal alheio e ir comendo feito criança travessa. Quando olho pela janela e vejo poucas casas e muitas árvores, sinto-me renovada e de certa forma protegida. O ar é muito puro e faz muito frio às vezes. Eu adoro! No verão faz calor suficiente pra tomar banho de rio, no inverno faz frio suficiente pra você querer ter uma lareira em casa e um estoque de vinho. Gosto dessa coisa de deixar a bicicleta no quintal e não me preocupar se alguém vai roubar. Gosto da sensação de andar pela rua e não me sentir ameaçada. Ser assaltada é uma experiência muito desagradável, assim como qualquer tipo de violência. Quando estou nas ruas lotadas do Rio me sinto muito frágil. Detesto essa sensação de isca de tubarão.
Costumava enxergar o interior como um lugar de passeio, mas ando repensando meu referencial. Me ponho em teste pra saber se há na cidade mais ou menos atrativos pro meu dia-a-dia. É uma espécie de comparação pra ver onde há mais coisas essencias pra minha vida. Onde houver menos, faz sentido que seja escolhido como local de passeio. Aliás, encontrar cachorros fofos, passarinhos e flores dos mais diversos tipos no caminho para a padaria deixa o dia bem mais bonito. Alguns podem até dizer que com o tempo a gente se acostuma e tudo deixa de ser especial, passa a ser rotina. Acho que pode ser verdade, embora ter uma rotina dessas seja mais agradável do que uma rotina de engarrafamento. Claro que a vida na cidade não é feita só de mazelas. Sabemos os atrativos, vantagens e facilidades oferecidas por um cotidiano cercado de opções de lazer, pessoas, cultura e tudo mais que há numa cidade como o Rio. Da mesma forma me pergunto se todas essas possibilidades não seriam uma maneira de aliviar a sensação de isolamento a que essa vida metropolitana nos remete... Algo a se pensar.
Em momento algum penso em radicalizar e virar um bicho-planta, como diz meu irmão. Busco apenas reflexão e alternativas. Desejo o conforto da sabedoria de que a vida pode ser várias numa só, que podemos mudar de ideia, de endereço, de estilo de vida e continuar sendo a mesma pessoa. Cidadão do mundo ou interiorano, acredito que somos várias possibilidades numa pessoa só.