terça-feira, 18 de agosto de 2009

A verdade

Lendo "Quando Nietzsche Chorou", comecei a pensar na tal busca pela verdade e suas implicações. A sua celebre frase “Torna-te quem tu és” parece simples. De fato, é uma frase curta, direta e objetiva.

Como diante de uma indagação, a resposta mais simples tende a ser a verdadeira, parece que a verdade guarda as mesmas características dessa frase. Mas, quando observo a dinâmica da nossa vida em sociedade, ela me leva a crer que a verdade não seja assim tão generalizada e indissolúvel,. Talvez a verdade seja relativa e particular em muitos níveis de entendimento. Enquanto a rotina nos traz padrões a serem seguidos, as mentes inquietas questionam onde se encontra o nosso lugar individual e verossímil no meio dessas regras. E até que ponto as generalizações representam mentiras e as indagações particulares representam verdades?

Na mesma semana, quando assisti ao filme “E sua mãe também”, acompanhei a trajetória de uma mulher que decide se desgarrar da vida de mulher-casada-traída-pelo-marido-desprezível para embarcar numa aventura sem preconceitos ou questionamentos de futuro. O problema é que ela só resolve se deliciar com escolhas improváveis porque sabe que sua condição de saúde é deteriorante e resta a ela pouco tempo de vida. Então, ela resolve viver uma verdade alternativa àquela de toda a sua vida e aprecia momentos prazerosos nos quais ela parece sorrir de verdade, em oposição clara a sua expressão de desilusão no início do filme. Ao final da história, fiquei imaginando quem seria aquela mulher. A resignada do início, a desgarrada do final? Ou conteríamos essas facetas variadas dentro de nós, o que nos tornaria tão interessantes e complexos em nossas próprias verdades? E porque situações críticas costumam ser as únicas alavancas para buscarmos novas perspectivas, aquelas do tipo que fazem nossa vida parecer uma mentira?

Talvez o “Torna-te quem tu és” não seja tão simples assim, porque saber quem somos não é uma resposta curta, direta e objetiva. Prefiro seguir a linha “Torna-te aquele que é feliz”, uma forma mais ampla e menos opressora de buscar a si mesmo, estando nós mergulhados na rotina ou nas histórias de aventura; no rigor das divagações teóricas ou no aconchego da filosofia de botequim.