terça-feira, 13 de outubro de 2009

"_Como alguém aprende a fazer poesia?

_Caminhe pela encosta, preste atenção a todos os detalhes que as metáforas surgirão naturalmente."

(O carteiro e o poeta - filme)

Vestígios

Porque?
São ângulos que engolem meu pouco e nossa parte.
Marcas de batom num guardanapo esquecido, molhado, que numa fatia da vida cala o momento, descuida...

Uma lágrima?
Desce e refresca-me sem querer como memórias de pureza.
Um beijo e sua cabeça em meu peito, um encaixe, uma viga da vida que balança todos os dias, terremoto...

Vaidade?
Tenho quando te faço rir enquanto flutua no céu da minha boca.
Despe minha reta, seja minhas curvas, minha pobre saliva, uma parte do meu tempo, um dia...

Pouco?
Uma fatia da procura de onde estamos, de onde viemos.
Legítimo acaso que me faz comida, que engole meus dias, leva a roupa suja e toca a sola dos pés...

Vestígios?
Quando ri de meu resto engrossa os cílios da minha noite e marca-me como uma música.
Moldes de tempestade, um orgasmo, febre, eu e minha fatia, minha picada de vida.

Alexandre Soma.
http://www.cromossoma.com.br/