domingo, 12 de dezembro de 2010

As pessoas são fragrâncias. Tem sua dose exata. Se pouco, são nulas. Se muito, intoxicam.
Mas, se você vicia, muito é sempre pouco.

Borboleta ou tubarão.

Sou tão forte como um trovão.
O som.
Sou tão forte como um furacão.
O vento.
Sou tão forte como um dilúvio.
A água.
Sou tão forte como um vulcão.
O fogo.
Mas a força permanece na intenção.
Do som...
Do vento...
Da água...
Do fogo...
A força está nas ideias.
Está nos pensamentos!

No sentimento, sou reversa.
Tão perturbadora quanto um assovio.
Tão devastadora como um sopro.
Tão afluente quanto gotículas de chuva.
Tão escaldante quanto um beijo.

Tubarão que pensa,
Borboleta que ama.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Um transbordamento suave me ocorre. Não disponho de medo, nem ilusões. São vontades de materializar vontades.
Se os puristas sonham atingir a abstração das ideias, sou mundana em desejar aquilo que desperta meu corpo inteiro, como uma ideia eletrizante que faisca.
Não quero fantasiar, nem imaginar como seria. Quero ser, quero que seja! Quero! Quero com o corpo inteiro!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"As palavras alimentam a alma nos momentos de solidão e desespero.Nutra almas com a beleza das suas palavras e desejos."

Como ser insensível a pedido tão amável?

sábado, 6 de novembro de 2010

Queria que me esquecesse, mas você não me esquece.
Queria que me amasse, mas você não ama.

O desejo é um vinho doce e corrosivo, degustado com volúpia.
Do prazer, se decompõe em taça vazia.
Não alimenta, nada espera.
Senão a boca seca e a vertigem.

Queria que não me desejasse... Ou queria?
Eu acredito no amor. Ele é como qualquer entidade viva: nasce e morre com a mesma intensidade.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aforismos e tormentos.

Entre meus aforismos e meus tormentos, vejo um filme futurista projetado no meu horizonte. A luz se projeta, mas não ilumina nada. Ouço a fita girar em seu eixo: voltas sem fim. Não posso ver imagens, nem eu mesma. Me inquieto na poltrona da sala escura. A música me diz baixinho para esperar. O frio me diz baixinho para seguir. Eu sigo esperando que minhas escolhas construam um filme bonito pra meus olhos e significante para os meus pensamentos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não somos divinos, somos divinamente orgânicos! Tudo em nós é orgânico, desde os ossos até os pensamentos. No sentido literal ou figurado, tudo vem das entranhas!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sou íntima do amor. Sei quando ele está e quando não está presente. Principalmente quando não está. Sinto saudade, sinto um gosto amargo de contrariedade. O amor é assim, nunca se sabe quando vem ou quando se vai. Um hóspede inesperado que nos recusamos a deixar partir. Tranquilo ou desordeiro, quer-se o hábito do desassossego, quer-se a ilusão do resgate eterno da ilusão. Esse amor, um pulverizado atômico que parece tão macio e concreto, embora tão enevoado. Essa densidade no respirar, essa sede, essa força que, sem ela, fica-se desconectado do mundo. Assim, sem liga, sem goma, sem céu!

sábado, 16 de outubro de 2010

Pobre fio solítário.
Decretou sua velhicitude.
Se enroscou, embranqueceu.
Desistiu de lutar.

Entregou sua riqueza,
dourada e brilhante,
para os meses desonestos.

Inspirou-se no nublado
dos dias sem esperança.
Perdeu-se das cores
dos dias suaves.

Não será mais
empregnado de sol.

Não recordará mais
a leveza e a inocência
dos cachos dourados.
Anos dourados,
vibrantes, arejados.

Ficou o vento
a perturbá-lo,
a lembrá-lo
dentre os loiros
que ele é início
e fim também.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sentimentos não são racionais. Relações humanas não são racionais. Logo, é irracional racionalizar sentimentos. É preciso racionalizar a não racionalização.
A harmonia não é uma constante. A harmonia é aquilo pelo qual se briga todos os dias. A harmonia é flutuante, orgânica, não é lógica. Assim como o amor.
Não mande ao cárcere aquele que você preza, querendo protegê-lo de suas desvirtudes. Somos amados pelo conjunto do que somos, o que tem de bom e de quebrado.

O amor de fato sobrevive à desilusão da desconstrução do outro idealizado.

 
 

domingo, 10 de outubro de 2010

Vida, perdoe-me por exigir de ti sempre um espetáculo.
Perdoe-me por não aplaudir seus truques simples.
Perdoe-me por tratá-la como fonte inesgotável do meu contentamento.
Perdoe-me por esquecer que você é minha criação e eu sou sua criatura.
Perdoe-me por me recusar a ser feliz, às vezes, só por considerar que felicidade é tudo que ainda não faz parte de mim.
Perdoe-me pela cegueira viciada da razão. De ter razão, de buscar razão em cada gesto seu.
Perdoe-me por impedir que sejas livre e natural como deve ser.
E, perdoe-me por ter que me perdoar sempre.

sábado, 9 de outubro de 2010

O que sentimos de verdade, nunca escrevemos pros outros, pois é intranscritível.  O que fazemos são pequenos manuais universais  do senso comum sentimental.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É possível fingir. Esquecer, nunca.

É possível fingir qualquer coisa. É possível fingir que se esqueceu alguém ou algum momento marcante. É possível fingir. Esquecer, nunca. Por mais que se distraia, que se mude para outro continente, que se encontre outras razões para se alegrar... Por mais que a vida siga seu rumo, as lembranças nos seguem fiéis para onde quer que a gente vá. Nessas horas, pode vir o arrependimento do que se fez ou do que se deixou de fazer. É quando temos a noção precisa daquilo que poderia ter acontecido ou daquilo que aconteceu de fato. Um desejo negado e um realizado nos parecem igualmente presentes na memória. Ambos contam a mesma história por um ponto de vista diferente. Na verdade, o que não deveria ter acontecido, acaba ganhando vida espontânea, mesmo sem acontecer. O desejo pode ser tão grande que se materialize como uma realização imaginária com raízes tão ou mais profundas que as bases das histórias ditas reais.
Há quem diga que alguns desejos ficam melhores guardados, pois tornam-se prenúncio de tempestade se realizados. Mas se o desejo for tão insuportável a ponto de nos fazer ignorar o perigo da tempestade? E se for tão intenso que nos convença que podemos suportar a tempestade e sair dela inteiros? O que seria mais danoso, a angústia de negar o desejo ou as consequência de confessá-lo? A impossibilidade de ter ou a possibilidade de ter apenar uma vez? Será que ultrapassar certos limites oferece paz? Será que não ultrapassar oferece? E se ultrapassar... conhecer o "ter"e o "não ter" é capaz de acalmar o espírito? Ou inflama ainda mais? O ímpeto de realizar um desejo e a angústia inflamada de não realizá-lo tem a mesma intensidade?
Não sei... Por que após a linha que divide o desejo do fato, existe a redenção. Dizem... E, talvez, haja também uma redenção em não realizá-lo. O desejo foi vencido. Será que não era tão grande assim que se silencia tão depressa? A resposta seria esperar o tempo que desinflama a gente? Em não esperar, e se a realização não for suficiente? E se o desejo se alimentar do ímpeto, devorar seu juízo e dormir seu sono? E se for maior que qualquer regra ou ensinamento de moralidade? Maior que a consciência de si mesmo?
Mergulhar ou ponderar? Amores possíveis ou impossíveis? Difícil escolha.

Expressão.

Expressão.
A pressão do ser.
De ser.
De ser externo,
escarnado,
estripado de suas ideias.

A expressão
descuida da gente,
Descuidada, gente,
ela nos joga aos leões.
Depois aos abutres.
Enquanto há sangue,
há vampiros.

Se expressar,
se atirar,
se ferir,
ferir.
Ou mentira.
Tudo ilusão
de um cretino,
exibido, falastrão...

Expressa-te ou te esqueço!
Esqueça-me e me expresso!
Ou me expresso em dúvida.
Se me esquece ou não,
expresso-me mesmo assim.
O riscos justificam o existir.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Essa história pode entrar para um livro.
Ele, ela e o tempo.
por: Mônica
"Gabriel sabia ser feliz. Ir e voltar da escola, ver a namoradinha e estar com os..."

 
Essa história pode entrar para um livro.
Ele, ela e o tempo.
por: Mônica
"Gabriel sabia ser feliz. Ir e voltar da escola, ver a namoradinha e estar com os..."

 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

 
Preciso escrever.
Cadê coragem?

Na folha branca,
não sou letra,
não sou sentido,
sou ausência.
 
("Escrever"-Pablo Picasso)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meu Veneno

Atrás de meus olhos
Dorme uma lagoa profunda
E o céu que trago na mente
...Meu voo jamais alcança

Há no meu corpo um incêndio
Que queima sem esperança
A própria terra que piso
Vira um abismo e me come

Corre em meu sangue um veneno
Veneno que tem teu nome

(Milton Nascimento)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu gosto

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Gosto do que é cinematográfico. De tudo que é fantástico. Da beleza que há no que há de alegre e triste também. Gosto do que é feito com tesão, daquilo que é arrebatador e intenso. Tenho gosto pelo tragicômico e pelo humor atravessado. Não o que é amargo, disso só café sem açúcar e chocolate que quebra feito biscoito. Falo do jogo ácido de ideias, da esperteza em capturar significados como pescaria em mar aberto. Refiro-me à ironia sofisticada, sem ofensas e irresistível ao sorriso de canto de boca. Adoro boca! Adoro um largo e oferecido sorriso. Daqueles sem vergonha. Uma gargalhada generosa e inesperada.
Gosto de tudo que me corrói e depois liberta. Aquilo que abre o casulo e me permite esticar as asas e voar. A beleza de desfilar minhas cores e exibir a vida que reside em cada néctar sugado pela minha sedenta boca. Prefiro o espanto ao ordinariamente morno. Digo o espanto da surpresa, não o espanto do mal inesperado. Não quero mal nenhum que não seja um bem, no fim.
Eu não sigo a linha do tempo. Eu questiono sua originalidade e a desafio a todo instante. Claro, é como desafiar o sol olhando direto pra ele. É cego, estúpido, mas legítimo. Sempre analiso os resultados, mas não concluo nada. O sol nasce todo dia e o desafio renasce sempre. Há dias que tiro folga e deixo a vida fazer seu trabalho. Outros tento roubar seus mapas, seus planos de conquistar o mundo. Não resisto a essa diversão indolente.
Gosto de me mover e daquilo que me move. E adoro o que não sei, só pelo prazer de descobrir e depois me achar descoberta também. Conhecer é expor a si mesmo. Adoro o gosto que tem gostar das pessoas. Aquele gosto de casa, de aconchego. Mas se desconheço, não desgosto, mas desconfio. Meu coração não é aberto à visitação, é área restrita: Authorized Personnel Only.
Gosto de pensar que o mundo é ilimitado. E me perco com frequência. Crio regras novas, teorias mirabolantes para justificar minha liberdade inaceitável. Para fugir do sufocante universo das coisas possíveis, adentrando o fabuloso universo do inevitável, dos impulsos impensados, refletidos sobre mim mesma. Detesto dizer não a mim mesma. Adoro aqueles segundos imaginários que tento me persuadir a acreditar que tudo vai ficar bem. Mas a inocência sempre se perde. E meu coração vai junto. Aliás, gosto de ter um coração. Mesmo este pobre coração governado pelo razão e perdido de amores imaginários. E gosto de pensar no sexo como uma conjunção carnal. Poder se dissolver no outro, tornar-se permeável ao amor... O sexo faz da Química uma ciência superior e desafia os desígnios físicos de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. O sexo é prova cabal de que as experiências mais reproduzidas e bem sucedidas não tem nada a ver com tubos de ensaio. Não se desvenda, não se revela. É combustão espontânea.
Adoro caminhar au bord de la mer. É um alívio saber que há saída para o mar...

Encontro cósmico

Combinei com o universo:
nunca me deixe só!
Ele ouviu, girou...
Deu-me companhias,
deu-me alegrias,
deu-me alguma paz.

Mas a harmonia,
que nem eu sabia que queria,
isso ele não me deu.
Os meus lápis coloridos,
gastaram, se perderam
nas mudanças, nas lembranças,
nos caminhos até aqui.

Noutro dia,
que surpresa!
Da minha constelação,
da minha imensidão astral,
vi você chegando.
Interplanetária,
incomparável,
inevitável!

Por sorte ou razão,
por amor ou paixão,
por dentro,
por entre minhas mãos...

Um rastro de estrelas
você veio seguindo.
Num rastro de ideias
eu persisti.
Senti, sofri, vivi...
E, pirlimpimpim!
A mágica das cores
aconteceu!
Você apareceu
e tudo foi claro,
cósmico e lindo!
Enfim...
Paz, harmonia, companhia?
Sim, amor!

(Para Roxilda e Somildo, com amor)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A vida, uma dança.


A vida é como uma dança.
Um dia somos passos.
Outros, somos chão.
Bailamos,
mudamos de lugar.
Ou não mudamos.

Nos damos conta
de quanto o mundo é circular.
Não adianta parar.
Você vai girar!

Nos damos conta
de que essa festa
nos cerca de gente.
E, no fim
fica só quem importa.
Quem segura a sua mão.
Quem te enlaça, te afaga.
Sempre a te olhar
bem de perto.

Mudamos conforme o ritmo.
Ou mudamos o ritmo,
ao nosso gosto.
Ou desgosto.
Cantamos versos que
traduzem nossa alma.
Música é isso!
Intérprete da alma da gente.
Tão profunda, tão fugaz.
A música, a dança e a vida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Escrever é a arte de dosar o auto-julgamento, desenvolver a tolerância e postergar o amor pela obra, pois que o escrito nos remete quase sempre a uma depressão pós-parto semântica.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Trabalho do céu é nos roubar o dia quando acostumamos com ele e nos roubar o sono no melhor aconchego do travesseiro. O trabalho do céu é jogar coisas sobre nossas cabeças e depois sorrir azul como se nada tivesse acontecido. Sonso...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Felidae

Você colhe o néctar da minha boca.
Profana e doce, num suspiro,
suga tudo...
minha fala,
meu sono.
minha lucidez.

Sua língua cúmplice
umedece meus anseios,
lambe minhas feridas,
lambe minha alma inteira.

Ambígua,
me cura, me fere.
Rasga sua fragilidade
impenetrável.
Despe suas garras de seda,
sobre sua penugem
cor de sol.
Acolhe-me íntimo
o sabor caramelado
precipitado e vão
do meu desassossego.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Saudade.


Tem dia de saudade.
Uma dorzinha alfinetada
em pleno sol de inverno.
Aquele azulzinho tranquilo,
aquele ventinho gostoso
e parece abafado.
Algo faltando
e ninguém se importa!

Refletida.

Tem saudade de dia.
Um alfinetezinho dolorido
em pleno inverno no sol.
Aquela tranquilidadezinha azul
aquela gostosurazinha de vento
e o abafado aparece.
Falta alguma
e ninguém importante!
Não tenho mais
aquela inocência.
Não guardo mais
aquelas lembranças.
Aquelas cartas minhas...
Ainda sou eu?
Em quantas caixas
me guardei?
Em quantos pensamentos
me guardaram?
Dá-me um lápis
de cor vermelho.
Dá-me esperança.
Seja lá quem for seu dono...

Aquela inocência
não me tem mais.
Aquelas lembranças
não me guardam mais.
Aquelas que sou...
Ainda são minhas cartas?
Em quantas de mim
me encaixei?
Em quantos guardados
me pensei?
Rabisque-me uma dádiva
de vermelho colorido.
Espera-me numa dádiva
Seja dono do que for...
(Rangel)




sexta-feira, 23 de julho de 2010

Manifesto.

Vamos desafiar a frieza que se manifesta em nossa sociedade de consumo e pressa, com AMOR. Mas não o amor como palavra e sim aquele manifesto. O manifesto que escrevemos toda vez que dizemos "eu te amo" a quem realmente amamos, que abraçamos carinhosamente aqueles por quem temos carinho e escutamos aqueles a quem nutrimos respeito. Amar não é cafona, nem fora de moda, é humano! Sejamos humanos no melhor da palavra!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Peleja versada.


Lobo:
_ Identificação ?!?!? rs. Ela canta e eu danço instintivamente.
_ Debooooooche! (som fazendo curva)
Anjo:
_ hahahahahahaha (risada cristalina).
Lobo:
_ Muito. Meu corpo mexe no som do deboche.
_ Hahahahahaha (risada cretina).
Anjo:
_ uahauahauahaauhaauahau (risada gozada)
_ Isso daria uma música!!!!! (Idéia colorida!)
_ Música tropicalista ou à la Chico Buarque.
_ Brincando com as sílabas... :D
Lobo:
_ É...
Meu corpo balança com suas mazelas,
Suas celas...
Remexe, mexe, remexe, sua mazela, remexe.
Ao som da lira que cria,
O som da minha poesia,
remexe, mexe.
_ hahahahaha (risada divertida)
Grades que se quebram,
requebram,
amolecem à sua temperatura...
Ebulição! Explosão!
Uma certa... Satisfação (huuuummm)
Consolação.
Tormenta, cinzenta.
Augustaaaaaaaaa.....
Outra louca!
Fumaça,
Cinzenta. A cor de magenta?
Dos lábios escarnados.
Disfarça...
que seus risos cínicos,
Magenta mexe a fumaça.
perversos...
Debocham da minha atenção.
Perversos versos que pensam.
Pensam não!
Escracham meu interesse.
E meus impulsos
servis e amigáveis...
Zomba, bumba, tomba.
Maldita!
Instáveis versos que remexem.
Que pulsam , se mexem.
Me arrasta,
Letras esquálidas, remexem.
Perversam o versar de um pervertido.
Pervertida!
Esfola minhas idéias tolas.
Revela que sou assim
ridícula, lúcida e caótica.
Amyniótica.

(Mônica e Anna: as irmãs cajazeras )

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Quero uma dose de silêncio,
uma porção de afeição,
e uma sopa quentinha de sossego.

Pra viagem, não!
Pra casa!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ode às palavras.

Eram pequenas, palavras enfileiradas
de arial formato.
Se descobriram vozes das mais
encantadas ideias.
Repousaram no papel branco entre minhas mãos.
Nasceram negras. Não morrerão jamais.

Inspirada em:

Ode ao inseto.

"Era pequeno, inseto voador
de asinhas minúsculas.
Descobriu as mais belas e colossais
paisagens.
Pousou na tinta ainda úmida sob o prato.
Morreu, colorido."

(Anna Anjos)
http://www.annaanjos.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dias estranhos parecem grandes projeções do resto de nossas vidas. Longas-metragens de suspense e drama. Que bom poder dormir toda noite pra acordar num novo dia! Porque todos temos que fazer escolhas e sempre falta algo nas escolhas que se faz.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

(Manoel de Barros)
"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios."

Esse eu queria ter escrito...:)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Gosto

Que gosto você tem?

Que gosto tem, você?

Você, tem que gosto?

Tem que gosto, você?

Que gosto?

Que gosto... Tem?

Você, tem gosto?

Que você tem?

Gosto, você?

Você?!!!

Gosto?

Quê?!!!

Tem você...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pílula filosófica.

Eu li essa semana: "O desejo é o apetite acompanhado da consciência que dele se tem"(Spinoza) e "Fuja das tentações, mas devagar, para que elas possam te alcançar!".
Se tentação for tudo que a gente deseja, mas não deve fazer, trata-se de uma tortura consciente. Então, fuja devagar da sua consciência. Fugir depressa só cansa, afinal não se pode fugir da própria consciência mesmo. Ou seja, esqueça as dúvidas e abrace suas vontades verdadeiras!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O que pensamos é mais interessante e elaborado do que aquilo que conseguimos transcrever. Geniais são aqueles que, na escrita, se aproximam de verdade dos seus pensamentos.

domingo, 18 de abril de 2010

Desejos

Desejos são divinos,
mundanos,
impetuosos,
demasiado humanos...

Desconstroem ideias
viciadas em tédio,
em dias mornos
em saliva insípida.

Relativizam o tempo.
Os olhares fugazes,
se revelam ferozes.
Feras enjauladas.
Feridas insistentes
de impulsos impensados.
Redundantes como um círculo.
Que se fecha no fim,
mas é sempre início.

A fome que não vê
o fruto.
Que padece de dúvidas.
Mas quando se realiza,
transborda de surpresas:
como presentes inesperados,
como beijos roubados...

Desejos tremem
de eletricidade estática.
Faíscam em cascata...
Conduzem vontades
em fluxo pulsante.
Não negam o perigo.
Devoram o risco
vermelho e quente
saltando nas veias,
nos veios adocicados,
nas vias de fato...
Na carne suculenta
de um banquete etéreo.

O corpo é um instrumento das nossas vontades: secretas, impetuosas e divinamente mundanas.
"O desejo é o apetite acompanhado da consciência que dele se tem"(Spinoza)

"Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos."(Oscar Wilde)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Camaleoa

Sou muito camaleoa
Juba dourada,
criatura esguia,
escorregadia.
Língua afiada,
apressada.
Deslizo pelos universos
dos sentidos, dos saberes,
dos desejos e viveres.

Me diluo no imaginário alheio.
Posso ser uma, várias...
Tenho minhas fantasias,
minhas personagens.
Imito a textura de ser,
nos diversos cenários
que toco.
Agente secreta, espiã.
Num piscar de olhos,
estou e não estou lá.
Me deixo pouco,
me levo muito.


Minhas escamas furta-cor,
mimetizam,
luminescentes,
o tom inimigo.
Me guardam do perigo,
me dão abrigo,
me libertam.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Feliz aniversário Carol.

Vida longa,
leve, saborosa
para essa Fera,
essa moça serelepe,
minha irmã caçula,
minha conexão banda larga
com o Cosmos,
com a aleatoriedade universal.

Vida plena
satisfeita,
que enche a barriga,
que mata a fome,
que sacia a sede
e que, travessa,
deixa sempre,
um gosto de quero mais.

Vida inteira,
não metade,
não meia-verdade.
Que seja
verdade verdadeira,
forte e serena,
corajosa como
você sabe ser.

Vida contente,
feliz, emocionante,
embriagante,
surpreendente.
Sempre.

Viva a vida
como queira,
seu talento nato,
sua sedução,
sua vocação.
Siga sua intuição,
Ela cuida de tudo
e de todos...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ciranda do vento

E-mo-ti-va.
Cheia dessas dores de viver.
De ser feliz.
Como um vento rasteiro.
Passa cheio, travesso.
Eleva a poeira densa,
bagunça os pensamentos,
mistura às lembranças.

Vão bailando devagar.
Pensamento e lembrança,
dançam como par.
Rodopiam, se exibindo.
Querendo me conquistar.
Cada passo, um afeto.
Uma alegria serena.
Uma alegria chorosa.

E o vento:
minha trilha musical!
Embala essa ciranda,
embola essa poeira,
leva o meu fôlego
e deixa lágrimas...
de alívios, de saudades,
de sentimentos plurais
demais...
Vento,
passa por mim,
pra mim,
de mim.
Deixa os pares
da minha reconstrução.
Leva os descompassos
do meu coração.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Good luck friend.

Once upon a time
there was a girl.
A girl who wanted
to be teacher.
A teacher of any place
she could find life and love...

Maybe time shows,
maybe feelings mean.
She has desires,
hope and a lot of dreams ...

Sometimes she knows
what others ask themselves.
Sometimes she goes
where others have nothing at all.
Neither has she...
But she trusts universe.
She keeps going.

Some letter, word, thought
will take her away
in a summer day.
Whether for better,
I hope she really
doesn't stay...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Digerir o tempo

Estou plena de sentimentos

como se, voraz,

comesse o tédio,

o amor, a espera,

a dúvida, os sonhos...


Preciso de saliva,

de caninos

que rasguem a carne,

de enzimas

que amoleçam as dúvidas,

de um colo macio

que depure os excessos,

purifique meus resíduos imaginários.


Preciso digerir o tempo...


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carnaval

Os tambores marcam surdos
o compasso da ilusão.
Convocam os espíritos.
Notas hipnóticas
de um ritmo delirante.
Batuque infernal!

Carnes inflamadas
saculejam em gozo.
Sorrisos fartos...

Exus regozijados
fantasiados de folião
se alimentam de euforia
Mundana, profana.
Bebem a alma gasosa
dos inocentes.
Espetam-lhe os desejos.
Desafiam seus pudores.
A persona do perigo.
Com seus olhos de volúpia
de abismo insano.

Clowns, clovis, bate-bolas
Palhaços!
Exus sem pecados
pregam a dúvida.
Em gritos de espantalho.
Em rostos de tinta.
Alertam os espirituosos.
Antídotos estúpidos
contra o veneno
das carnes quentes
de fevereiro.

O palhaço diz,
profético:
_Não confie nessa gente!
_ São todos uns palhaços!
Entre os dentes de seu sorriso enigmático.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Os amores são sempre à primeira vista. A gente é que, às vezes, só percebe depois...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"...tenho por princípios
Nunca fechar portas
Mas como mantê-las abertas
O tempo todo
Se em certos dias o vento
Quer derrubar tudo?..."

(Sudoeste-Adriana Calcanhoto)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Penso, logo hesito...

Quem pensa demais,
elabora tensões subliminares.
Encerra o desejo
em grades geométricas.
Calcula cada ato espontâneo.
Mede cada palavra afetuosa.
Põe em gráficos
a linha do tempo.
Define a coordenada
das emoções.
Desconfia do instinto.
Credita toda honra
ao pensamento:
um infinito
de variáveis controladas.

Em estreito deleite de vida,
entende as razões,
ignora as paixões,
nega a vontade...
Condena a liberdade,
como quem nega
a própria natureza.
Faz-se sobre-humano.
Esmaga o peito arfante.
Algoz e mártir.
Mata e morre.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Paixão move o imóvel

Às vezes fico imóvel.

Vejo coisas e nada faço.


Às vezes me mobilizo.

No susto, na paixão,

dou largada,

liberto o espírito!


Palavras velozes,

correm.

Explosão de energia!

Disputam cada passo,

flutuam, sentem o vento.

E na firmeza aérea,

de quem caminha

no impulso de liberdade,

cruzam a linha de chegada.

Vitória!

Ou não...


Correr sempre vale à pena.

Voar com os pés no chão.

Nem que seja

para dar a volta ao mundo.

Sem sair do lugar.

O percurso desfaz os medos.

A chegada refaz o juízo.

Da paixão à sensatez.

Eis o espaço percorrido.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dissecando a vida.

Eu era tão racional que dediquei três anos da minha vida dissecando cérebros de ratos na tentativa de entender como as coisas funcionam. Pensava que observando a porção microscópica da questão, lá estaria, em meio a moléculas elementares, um dicionário ilustrado ensinando a viver. Como alguém racional pode ser tão ingênuo a ponto de achar que pode entender tudo assim? Ou seria pretensão reducionista?

Indo fundo na questão, no tecido que estrutura nosso intelecto, que dá base química e física aos nossos pensamentos, acabei me perdendo da minha insistente tendência crítica. Encontrei rituais de sacrifício, sangue, fatias de cérebro, imagens brilhantes num microscópio magnífico que, por alguns instantes, me deslumbravam. E quanto mais eu estudava a incrível desenvoltura da nossa massa cinzenta, ia descobrindo que ser humano vai muito além de conexões neuronais, sinapses e toda a enciclopédia técnica que descreve como nosso cérebro funciona. Esse arsenal de conhecimento me disse que a compreensão da vida é mais ampla que entender química, física, biologia...

Lancei meu olhar para dentro das células, do núcleo delas, da sua capacidade de se reproduzir, mesmo em ambiente desfavorável. Investiguei a capacidade que as células do cérebro tem de se reinventarem diante da restrição alimentar aplicada nas origens do seu desenvolvimento, quando as células ainda estão se multiplicando para gerar um novo ser. Eu as desafiei, as provoquei, as privei de nutrientes e o que elas fizeram? Se adaptaram e me surpreenderam! De certa forma, me ensinaram um pouco a viver. Elas formaram tecido cerebral, estruturaram cérebros funcionais e me mostraram que a vida é assim: eu faço planos perfeitos, encaro as adversidades, improviso, dou um jeito e cresço. E não é por isso que eu vou crescer torta e mau-humorada. Porque se um dia algo faltou, eu estou viva agora, neste exato momento, com a oportunidade de recriar novos desfechos para a minha própria história.

Não se pode mudar a origem das nossas vidas, mas o daqui-por-diante nós podemos inventar todos os dias. Se as células são capazes de superar adversidades, nós, feitos de um punhado delas, também somos. Se usamos o cérebro, no sentido mais orgânico da palavra, e também no sentido de dar aos nossos pensamentos, e principalmente, às ações resultantes deles, novos e brilhantes caminhos, não precisamos invejar as células. Seremos bem-sucedidos cúmplices nessa aventura chamada vida!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Coração encantado

Palavras mágicas,
coração encantado.
Passos distraídos,
mãos de plumas.

Da cartola,
um sorriso.
Da manga,
um afago.
Cartas de amor,
voam no espaço.
Coelhos brancos,
nuvens desenhadas.
Lenços são peças,
embaraço despido.
Vapor do vazio,
sob olhos inocentes.
Surpresa!
Aplausos!
Extase!

Vida fascinante,
montanha-russsa,
roda gigante
dentro de si.
Aventura?
Magia?
Ilusão?
Não! Espetáculo!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Flocos de algodão

Sinto que sei.
Saber não diz nada.
Nada que se sente
é entendimento.
Começa espera.
Vira esperança.
Corre um fio
Frágil, quebrável.
Espera, sorriso.
Alegria,
flocos de algodão!

Não se faz.
Se deixa ir.
Suave, carinhosa.
Mente clara.
Céu de primavera.
Flores de cheiro.
Doce encanto.
Encantada.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

“I've got a feeling, a feeling deep inside.”

I know notting about it,
I don't know why, when, how long...
I just feel something I've lost some day
and it comes back again. 
To me, to both of us.
No idea...
Slowly, peacefully, tenderly.
I've got a running heart,
but it's not running away.
It grows up inside me,
but I don´t suffocate.
It's good, it's God, it's me.
How about it?
Sweet!
I'm happy, but I'm ok.
I don't live tomorrow.
Life is me today.

(Inspired on: I've Got a Feeling - Beatles)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Retina

Sua retina me desenha.
Se encanta com as palavras.
Se espanta com a verdade.
Se morde de curiosidade.
Se sente intimidada,
furtada, despida.
De um verso,
tira a roupa,
veste o véu da cumplicidade.
Se ilude, se entrega,
Ama.

Sua retina embaça
a mente.
E mente.
Seduz, reluz, traduz
sentidos sem direção.
Difração.
Arco, feixe, íris.
Nuvens eletrônicas,
magnéticas, indecifráveis.

Sua retina,
máquina ingênua,
decodifica desejos.
Faz que não sabe
tudo que desconhece
entre mim e você.