sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carnaval

Os tambores marcam surdos
o compasso da ilusão.
Convocam os espíritos.
Notas hipnóticas
de um ritmo delirante.
Batuque infernal!

Carnes inflamadas
saculejam em gozo.
Sorrisos fartos...

Exus regozijados
fantasiados de folião
se alimentam de euforia
Mundana, profana.
Bebem a alma gasosa
dos inocentes.
Espetam-lhe os desejos.
Desafiam seus pudores.
A persona do perigo.
Com seus olhos de volúpia
de abismo insano.

Clowns, clovis, bate-bolas
Palhaços!
Exus sem pecados
pregam a dúvida.
Em gritos de espantalho.
Em rostos de tinta.
Alertam os espirituosos.
Antídotos estúpidos
contra o veneno
das carnes quentes
de fevereiro.

O palhaço diz,
profético:
_Não confie nessa gente!
_ São todos uns palhaços!
Entre os dentes de seu sorriso enigmático.

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