domingo, 18 de abril de 2010

Desejos

Desejos são divinos,
mundanos,
impetuosos,
demasiado humanos...

Desconstroem ideias
viciadas em tédio,
em dias mornos
em saliva insípida.

Relativizam o tempo.
Os olhares fugazes,
se revelam ferozes.
Feras enjauladas.
Feridas insistentes
de impulsos impensados.
Redundantes como um círculo.
Que se fecha no fim,
mas é sempre início.

A fome que não vê
o fruto.
Que padece de dúvidas.
Mas quando se realiza,
transborda de surpresas:
como presentes inesperados,
como beijos roubados...

Desejos tremem
de eletricidade estática.
Faíscam em cascata...
Conduzem vontades
em fluxo pulsante.
Não negam o perigo.
Devoram o risco
vermelho e quente
saltando nas veias,
nos veios adocicados,
nas vias de fato...
Na carne suculenta
de um banquete etéreo.

O corpo é um instrumento das nossas vontades: secretas, impetuosas e divinamente mundanas.
"O desejo é o apetite acompanhado da consciência que dele se tem"(Spinoza)

"Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos."(Oscar Wilde)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Camaleoa

Sou muito camaleoa
Juba dourada,
criatura esguia,
escorregadia.
Língua afiada,
apressada.
Deslizo pelos universos
dos sentidos, dos saberes,
dos desejos e viveres.

Me diluo no imaginário alheio.
Posso ser uma, várias...
Tenho minhas fantasias,
minhas personagens.
Imito a textura de ser,
nos diversos cenários
que toco.
Agente secreta, espiã.
Num piscar de olhos,
estou e não estou lá.
Me deixo pouco,
me levo muito.


Minhas escamas furta-cor,
mimetizam,
luminescentes,
o tom inimigo.
Me guardam do perigo,
me dão abrigo,
me libertam.