domingo, 18 de abril de 2010

Desejos

Desejos são divinos,
mundanos,
impetuosos,
demasiado humanos...

Desconstroem ideias
viciadas em tédio,
em dias mornos
em saliva insípida.

Relativizam o tempo.
Os olhares fugazes,
se revelam ferozes.
Feras enjauladas.
Feridas insistentes
de impulsos impensados.
Redundantes como um círculo.
Que se fecha no fim,
mas é sempre início.

A fome que não vê
o fruto.
Que padece de dúvidas.
Mas quando se realiza,
transborda de surpresas:
como presentes inesperados,
como beijos roubados...

Desejos tremem
de eletricidade estática.
Faíscam em cascata...
Conduzem vontades
em fluxo pulsante.
Não negam o perigo.
Devoram o risco
vermelho e quente
saltando nas veias,
nos veios adocicados,
nas vias de fato...
Na carne suculenta
de um banquete etéreo.

3 comentários:

cpi disse...

Bem legal!
Parabéns...

Anna Anjos disse...

Desejos... eu desejo tê-los. Saciá-los todos, que tristeza! Nada possui maior sabor que o de um desejo ainda não realizado: a mola propulsora do viver.

Mônica Lobo disse...

Se nos negamos os desejos e suas realizações mundanas, o que resta de nós senão uma carcaça inumana...