quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aforismos e tormentos.

Entre meus aforismos e meus tormentos, vejo um filme futurista projetado no meu horizonte. A luz se projeta, mas não ilumina nada. Ouço a fita girar em seu eixo: voltas sem fim. Não posso ver imagens, nem eu mesma. Me inquieto na poltrona da sala escura. A música me diz baixinho para esperar. O frio me diz baixinho para seguir. Eu sigo esperando que minhas escolhas construam um filme bonito pra meus olhos e significante para os meus pensamentos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não somos divinos, somos divinamente orgânicos! Tudo em nós é orgânico, desde os ossos até os pensamentos. No sentido literal ou figurado, tudo vem das entranhas!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sou íntima do amor. Sei quando ele está e quando não está presente. Principalmente quando não está. Sinto saudade, sinto um gosto amargo de contrariedade. O amor é assim, nunca se sabe quando vem ou quando se vai. Um hóspede inesperado que nos recusamos a deixar partir. Tranquilo ou desordeiro, quer-se o hábito do desassossego, quer-se a ilusão do resgate eterno da ilusão. Esse amor, um pulverizado atômico que parece tão macio e concreto, embora tão enevoado. Essa densidade no respirar, essa sede, essa força que, sem ela, fica-se desconectado do mundo. Assim, sem liga, sem goma, sem céu!

sábado, 16 de outubro de 2010

Pobre fio solítário.
Decretou sua velhicitude.
Se enroscou, embranqueceu.
Desistiu de lutar.

Entregou sua riqueza,
dourada e brilhante,
para os meses desonestos.

Inspirou-se no nublado
dos dias sem esperança.
Perdeu-se das cores
dos dias suaves.

Não será mais
empregnado de sol.

Não recordará mais
a leveza e a inocência
dos cachos dourados.
Anos dourados,
vibrantes, arejados.

Ficou o vento
a perturbá-lo,
a lembrá-lo
dentre os loiros
que ele é início
e fim também.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sentimentos não são racionais. Relações humanas não são racionais. Logo, é irracional racionalizar sentimentos. É preciso racionalizar a não racionalização.
A harmonia não é uma constante. A harmonia é aquilo pelo qual se briga todos os dias. A harmonia é flutuante, orgânica, não é lógica. Assim como o amor.
Não mande ao cárcere aquele que você preza, querendo protegê-lo de suas desvirtudes. Somos amados pelo conjunto do que somos, o que tem de bom e de quebrado.

O amor de fato sobrevive à desilusão da desconstrução do outro idealizado.

 
 

domingo, 10 de outubro de 2010

Vida, perdoe-me por exigir de ti sempre um espetáculo.
Perdoe-me por não aplaudir seus truques simples.
Perdoe-me por tratá-la como fonte inesgotável do meu contentamento.
Perdoe-me por esquecer que você é minha criação e eu sou sua criatura.
Perdoe-me por me recusar a ser feliz, às vezes, só por considerar que felicidade é tudo que ainda não faz parte de mim.
Perdoe-me pela cegueira viciada da razão. De ter razão, de buscar razão em cada gesto seu.
Perdoe-me por impedir que sejas livre e natural como deve ser.
E, perdoe-me por ter que me perdoar sempre.

sábado, 9 de outubro de 2010

O que sentimos de verdade, nunca escrevemos pros outros, pois é intranscritível.  O que fazemos são pequenos manuais universais  do senso comum sentimental.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É possível fingir. Esquecer, nunca.

É possível fingir qualquer coisa. É possível fingir que se esqueceu alguém ou algum momento marcante. É possível fingir. Esquecer, nunca. Por mais que se distraia, que se mude para outro continente, que se encontre outras razões para se alegrar... Por mais que a vida siga seu rumo, as lembranças nos seguem fiéis para onde quer que a gente vá. Nessas horas, pode vir o arrependimento do que se fez ou do que se deixou de fazer. É quando temos a noção precisa daquilo que poderia ter acontecido ou daquilo que aconteceu de fato. Um desejo negado e um realizado nos parecem igualmente presentes na memória. Ambos contam a mesma história por um ponto de vista diferente. Na verdade, o que não deveria ter acontecido, acaba ganhando vida espontânea, mesmo sem acontecer. O desejo pode ser tão grande que se materialize como uma realização imaginária com raízes tão ou mais profundas que as bases das histórias ditas reais.
Há quem diga que alguns desejos ficam melhores guardados, pois tornam-se prenúncio de tempestade se realizados. Mas se o desejo for tão insuportável a ponto de nos fazer ignorar o perigo da tempestade? E se for tão intenso que nos convença que podemos suportar a tempestade e sair dela inteiros? O que seria mais danoso, a angústia de negar o desejo ou as consequência de confessá-lo? A impossibilidade de ter ou a possibilidade de ter apenar uma vez? Será que ultrapassar certos limites oferece paz? Será que não ultrapassar oferece? E se ultrapassar... conhecer o "ter"e o "não ter" é capaz de acalmar o espírito? Ou inflama ainda mais? O ímpeto de realizar um desejo e a angústia inflamada de não realizá-lo tem a mesma intensidade?
Não sei... Por que após a linha que divide o desejo do fato, existe a redenção. Dizem... E, talvez, haja também uma redenção em não realizá-lo. O desejo foi vencido. Será que não era tão grande assim que se silencia tão depressa? A resposta seria esperar o tempo que desinflama a gente? Em não esperar, e se a realização não for suficiente? E se o desejo se alimentar do ímpeto, devorar seu juízo e dormir seu sono? E se for maior que qualquer regra ou ensinamento de moralidade? Maior que a consciência de si mesmo?
Mergulhar ou ponderar? Amores possíveis ou impossíveis? Difícil escolha.

Expressão.

Expressão.
A pressão do ser.
De ser.
De ser externo,
escarnado,
estripado de suas ideias.

A expressão
descuida da gente,
Descuidada, gente,
ela nos joga aos leões.
Depois aos abutres.
Enquanto há sangue,
há vampiros.

Se expressar,
se atirar,
se ferir,
ferir.
Ou mentira.
Tudo ilusão
de um cretino,
exibido, falastrão...

Expressa-te ou te esqueço!
Esqueça-me e me expresso!
Ou me expresso em dúvida.
Se me esquece ou não,
expresso-me mesmo assim.
O riscos justificam o existir.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Essa história pode entrar para um livro.
Ele, ela e o tempo.
por: Mônica
"Gabriel sabia ser feliz. Ir e voltar da escola, ver a namoradinha e estar com os..."

 
Essa história pode entrar para um livro.
Ele, ela e o tempo.
por: Mônica
"Gabriel sabia ser feliz. Ir e voltar da escola, ver a namoradinha e estar com os..."