domingo, 3 de janeiro de 2010

Retina

Sua retina me desenha.
Se encanta com as palavras.
Se espanta com a verdade.
Se morde de curiosidade.
Se sente intimidada,
furtada, despida.
De um verso,
tira a roupa,
veste o véu da cumplicidade.
Se ilude, se entrega,
Ama.

Sua retina embaça
a mente.
E mente.
Seduz, reluz, traduz
sentidos sem direção.
Difração.
Arco, feixe, íris.
Nuvens eletrônicas,
magnéticas, indecifráveis.

Sua retina,
máquina ingênua,
decodifica desejos.
Faz que não sabe
tudo que desconhece
entre mim e você.