sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Penso, logo hesito...

Quem pensa demais,
elabora tensões subliminares.
Encerra o desejo
em grades geométricas.
Calcula cada ato espontâneo.
Mede cada palavra afetuosa.
Põe em gráficos
a linha do tempo.
Define a coordenada
das emoções.
Desconfia do instinto.
Credita toda honra
ao pensamento:
um infinito
de variáveis controladas.

Em estreito deleite de vida,
entende as razões,
ignora as paixões,
nega a vontade...
Condena a liberdade,
como quem nega
a própria natureza.
Faz-se sobre-humano.
Esmaga o peito arfante.
Algoz e mártir.
Mata e morre.