sexta-feira, 9 de abril de 2010

Camaleoa

Sou muito camaleoa
Juba dourada,
criatura esguia,
escorregadia.
Língua afiada,
apressada.
Deslizo pelos universos
dos sentidos, dos saberes,
dos desejos e viveres.

Me diluo no imaginário alheio.
Posso ser uma, várias...
Tenho minhas fantasias,
minhas personagens.
Imito a textura de ser,
nos diversos cenários
que toco.
Agente secreta, espiã.
Num piscar de olhos,
estou e não estou lá.
Me deixo pouco,
me levo muito.


Minhas escamas furta-cor,
mimetizam,
luminescentes,
o tom inimigo.
Me guardam do perigo,
me dão abrigo,
me libertam.