segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Felidae

Você colhe o néctar da minha boca.
Profana e doce, num suspiro,
suga tudo...
minha fala,
meu sono.
minha lucidez.

Sua língua cúmplice
umedece meus anseios,
lambe minhas feridas,
lambe minha alma inteira.

Ambígua,
me cura, me fere.
Rasga sua fragilidade
impenetrável.
Despe suas garras de seda,
sobre sua penugem
cor de sol.
Acolhe-me íntimo
o sabor caramelado
precipitado e vão
do meu desassossego.