sexta-feira, 20 de maio de 2011

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
Te quero nas proximidades da minha pele quente.
Tão perto que nem precise de roupa.
Tão delicioso que nem precise de fome.
Tão intenso que nem precise do mundo!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Olho o céu espelhado
e te vejo no vapor das nuvens.

Seus olhos de contornos negros,
riscados, acolhidos pela face robusta.
Seus olhos sorridentes,
salientes, brilhantes...
Seus olhos de sonhador barroco,
de filósofo de sabedoria de outros tempos.

Seus olhos me observam,
decoram meus contornos.
Me desejam nos reflexos infinitos do espelho.
Olhos históricos, eufóricos.
Olhos respeitosos à imobilidade majestosa,
à liberdade sedutora de ser o que é.
De ser inteiro, espaçoso
e absolutamente irresistível!
Corpo macio,
esparramado como calda de chocolate.
Em toda a sua beleza suculenta,
lenta e intensa.

Quero comê-lo,
como apaixonada degustadora que sou!
Comer sua luxúria, seu afeto, sua força...

E te amar,
como cuidadosa semeadora das riquezas do mundo.
Da riqueza de ter perto,
de ser assim, feliz.