sexta-feira, 6 de maio de 2011

Olho o céu espelhado
e te vejo no vapor das nuvens.

Seus olhos de contornos negros,
riscados, acolhidos pela face robusta.
Seus olhos sorridentes,
salientes, brilhantes...
Seus olhos de sonhador barroco,
de filósofo de sabedoria de outros tempos.

Seus olhos me observam,
decoram meus contornos.
Me desejam nos reflexos infinitos do espelho.
Olhos históricos, eufóricos.
Olhos respeitosos à imobilidade majestosa,
à liberdade sedutora de ser o que é.
De ser inteiro, espaçoso
e absolutamente irresistível!
Corpo macio,
esparramado como calda de chocolate.
Em toda a sua beleza suculenta,
lenta e intensa.

Quero comê-lo,
como apaixonada degustadora que sou!
Comer sua luxúria, seu afeto, sua força...

E te amar,
como cuidadosa semeadora das riquezas do mundo.
Da riqueza de ter perto,
de ser assim, feliz.