sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Habitante dos meus pensamentos.
Desafia minhas convicções,
afirmações, até minhas dúvidas.

Duvida das minhas dúvidas!
Chacoalha as minhas certezas,
acrescenta mistério aos meus desejos.

o que você faz.
É exagero.
E pode até não ser.>

Desconheço presença mais balsâmica,
complexa e imprescindível!

Talvez sejam meus olhos marejados
vendo além do ordinário.
Talvez seja meu corpo vibrante
e sua magnetizante presença.
Ou a irresistível vontade de te ter
sempre.

Residente dos espaços largos
de desejo e dor.
Bebe minha paixão.
Sedento, lento.
Passeia pelas divagações filosóficas
das minhas sinapses nervosas.
Até neuróticas...

Me acalma.
E me arma de coisas terrenas.
Rouba minhas vontades de fugir do mundo.
Me rouba para si.
Gatuno!
Adoro!




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Línguas afiadas,
peçonhentas.
Praguejam.
Reclamam do dia,
desdenham da noite.
Apontam cáusticas certezas
nas faces alheias.

Se exibem.
Cultivam alta estima
por si mesmas.
O que sobra em ousadia,
falta em ideias novas.
Planos, saídas... Nada!
Nenhuma fagulha inovadora.

São línguas inúteis.
Não beijam,
nem saboreiam a vida.
Apenas cospem grosseria estéril.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O poema precisa de tempo.
A vida precisa de poema.
A gente precisa de tempo.
A vida precisa da gente.

Precisar é presença.
A gente vivendo, experimentando.
Não apostando no depois.
Depois nada.
Depois pode não ser.
Depois já era.

Hoje tive um verso na mão.
Guardei-o num canto de papel.
Desleixo? Não! Cuidado.
Ele quase se perdeu no tempo.
Se não fosse a quina da folha em branco,
ele seria agora um esquecimento.

Salvei-o do fim de tantos doces devaneios.
Enterrados pelas obrigações.
Subtraídos pelas ideias velozes e vazias.
Morto pela falta da gente.

Guarde tempo, escreva os versos e seja hoje.
Depois é outra história.
Não nos pertence.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quero ter uma palavra.
Ter não, presentear com uma palavra.

Ao invés de caixa enfeitada,
um significado exato.
Não sei se ter sentido é milagroso.
Não sei se é milagroso ter sentido.
Então, envio uma lembrança.
Daquelas simples, amáveis.
Daquelas que tem coração,
tem sentimentos, dores também.
Uma lembrança que chega e fica.
Lembrança forte.

Talvez essa palavra não cure tudo.

Ela nem pode ter essa divina pretensão.
Ou pode.
Quero acreditar que pode!
Pode, pronto!

Essa palavra que chega aí agora.
Tão distante.
Vai te dizer num afago:
_Estou aqui.
E docemente se apresentará:
_ Meu nome é amizade, mas pode me chamar de amiga.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Saí daqui onde chorava com medo do mundo.
Leito quente, farto e fragilizante.
Dei voltas hemisféricas, quadriláteras, obtusas!

O escuro azulado da noite
tão sereno, tão breve.
Gosto de prolongá-lo para escutar minhas dores.
Não há cura.
Há dia, sol...
Um azul iluminado que joga o infinito na minha cara!
Diz que sabe o que quero, o que preciso.
Audácia!
Ele não conhece meus segredos.

Sob o azul turquesa arrogante
protejo-me de tanta claridade.
Não me agrada exibir as rugas, os passos lentos, as ideias perdidas.
Nesta hora gosto do vento.
Meus cabelos enlouquecem.
Não há comparável imperfeição!

Devagar não é meu passo.
Engana-te!
Se meu corpo se alonga demais
se ele se esparrama...
É para abrigar tantos pensamentos.
Tantos que não sei se são meus
ou se sou deles.

Não choro mais.
Medito fazendo sopa quente.
A sopa desce apertada.
Fico reclusa à espera da madrugada
do silêncio doce que o azul de sol não traz.
É quando o mundo pára.
Parece gostar de mim.
Pareço gostar de mim.
Lembro de respirar.




quarta-feira, 6 de junho de 2012

Delírios amorosos de um espaço-tempo sideral.



Nessas horas infinitas de escrita solitária, às vezes tenho a impressão que você está muito longe. É como se você tivesse pego a sua nave intergaláctica e partido para outro universo. Parece tão distante, tão silencioso que chego a ter medo de que você não volte mais. Ou que eu não tenha uma nave que possa te achar.
Minha mente cheia de ideias, grávida de um furacão pulsa e clama pelo big bang que possa dar origem a uma nova ordem das coisas, a nossa nova vida.
Enquanto o início não chega, vou delirando sobre a sua localização espacial a anos luz daqui, sua tripulação miscigenada e destemida destruindo rochas duras e estúpidas. Vou sonhando com a nave mãe flutuando no espaço sideral e nós em nosso tão merecido reinado cósmico. Gatos siderais.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Fazer aniversário.

Fazer aniversário.
Se refazer, se reinventar.
Ser você outra vez.
Nova, outra, a mesma de antes...
Que seja!
Seja perto, seja longe.
Seja uma, duas, mil...

Seria mais se fosse infinita.
Mas infinitos são longos,
solitários.
Você é sempre nós.
Sempre maternal.
Você cuida, se importa.
O amor, enfim.
Sem fim.

Seja amor, amante, amada!
Seja o que sabe melhor ser.
Seja de novo você!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

No meio da minha vida

No meio da minha vida tinha o Pedro
tinha o Pedro no meio da minha vida
tinha o Pedro
no meio da minha vida tinha o Pedro.


Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão deslumbradas.
Nunca me esquecerei que no meio da minha vida
tinha o Pedro
tinha o Pedro no meio da minha vida
no meio da minha vida tinha o Pedro.

E sempre terá.

Suspeito muito secretamente,
que no meio da minha vida tinha o Pedro.
Mesmo antes da minha vida ser.


Para o pequeno Pedro da querida Carol  (parafrasenando Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Casa

Quero arrumar minha casa.
Quero tudo lindo de um jeito aconchegante.
Nada de luxo, de disperdício de bom gosto.
Quero o vento fresco invadindo minha sala.
E poucos obstáculos para interceptá-lo.
Quero ver a luz refletida por toda parte.
E a magia de poder suprimí-la sempre que quiser.
Quero caminhar por ela como quem faz um passeio.
E respirar o ar da tranquilidade.
Quero a água do chuveiro como se fosse cachoeira.
E que nos dias frios, me abrace quentinho.
Quero que seja boa para os pensamentos.
E que seja generosa com as palavras.
Quero minhas cores preferidas.
Como se pudesse pintar o mundo a meu modo.
Quero ser criança para pintá-la com meus sentimentos.
E ser grande para torná-la uma doce realidade.