segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Saí daqui onde chorava com medo do mundo.
Leito quente, farto e fragilizante.
Dei voltas hemisféricas, quadriláteras, obtusas!

O escuro azulado da noite
tão sereno, tão breve.
Gosto de prolongá-lo para escutar minhas dores.
Não há cura.
Há dia, sol...
Um azul iluminado que joga o infinito na minha cara!
Diz que sabe o que quero, o que preciso.
Audácia!
Ele não conhece meus segredos.

Sob o azul turquesa arrogante
protejo-me de tanta claridade.
Não me agrada exibir as rugas, os passos lentos, as ideias perdidas.
Nesta hora gosto do vento.
Meus cabelos enlouquecem.
Não há comparável imperfeição!

Devagar não é meu passo.
Engana-te!
Se meu corpo se alonga demais
se ele se esparrama...
É para abrigar tantos pensamentos.
Tantos que não sei se são meus
ou se sou deles.

Não choro mais.
Medito fazendo sopa quente.
A sopa desce apertada.
Fico reclusa à espera da madrugada
do silêncio doce que o azul de sol não traz.
É quando o mundo pára.
Parece gostar de mim.
Pareço gostar de mim.
Lembro de respirar.