terça-feira, 14 de janeiro de 2014

minhA aLegria está para queM souber enxergAr.
Quem escreve?
Quem escreve a tese?
Se não sou eu.

A que tem saudade?
A que teve paixão?
A que vê os farelos do desejo?
A que apreciava o pão?

As palavras são febris.
Consomem o tempo.
O suor goteja.
Não há brisa, nem paz.

Os relógios param.
A neblina é densa,
úmida e quente.

Insisto em escrever.
É o fim da linha
ou o começo de mim?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Relíquias se dissolvem
bem diante dos meus olhos.

Não faço nada.
Ou quase nada.
Lamento.
Não há nada que atrase
o caminhar inevitável do tempo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Limites imaginários

Penso que meu corpo seja o limite físico das minhas idéias e que minhas idéias sejam os limites imaginários do meu corpo.
O corpo que sustenta idéias dói, cansa, adoece, sente, cresce, se transforma, limitando as ambições desmedidas das idéias.
As idéias, embora sejam alimentadas pelas experiências e seja alimento para as expectativas, são minhas apenas no meu corpo, no meu imaginado corpo. No discurso, na interação, na representação, as idéias já não são apenas minhas, embora elas sejam eu em alguma medida.
O meu conceito de idéia também é restrito ao meu universo imaginado. E, na minha teoria, talvez não envolva o outro. Talvez o meu conceito de idéia constitua a minha ilusão de uma identidade original.
Escrever é pintar na tela branca e indistinta traços do que chamamos de idéias. É o tipo de pintura complexa de cores não óbvias. Uma paleta de tons, silhuetas, intencionalidades, desejos e desapontamentos.

Aos olhos inexperientes, parece simples, preto no branco. Mas, se olhar com cuidado, tem todas as cores imagináveis impressas ali. Uma vida.