terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Agradecimentos


Tenho ciência deste lugar.
Ninho de pensamentos.
Leito de ilusões.
Este onde coloquei a mim mesma.
Por minha conta e risco.

Não me acusem de mal-agradecida!
Sei de todas as figuras,
Criaturas, como prefiro,
Que ao meu lado permaneceram.
Firmes, doces, essenciais...
Mãe, pai, irmão.
Amigos e amigas,
Queridos, queridas.
Recentes, de tantos anos.

Sei dos mais experientes,
Professores, doutores.
Tão diversos, tão ricos.
Tão parceiros dessa história.
Minha história, nossa história.
Tantos nomes!
Daria um Lusíadas.

Afetos, conflitos.
Anseios, alívios.
Finais, recomeços.
Tantos tropeços.
Dores que só eu senti.
E ainda sinto!
Pois que parto daqui.
E as idéias ficam.

Que trauma deixar minhas entranhas!
Para morar num papel branco qualquer.
Mãe ingrata! Elas gritam.
E eu digo: voem!

Nessa hora, perco o verso.
A prosa, o chão.
A poesia acaba.
E começa essa ingrata,
Feroz e implacável jornada chamada ciência.


Ao meu amor serei atenta e digo, nesta jornada é contigo que eu fico! Sempre.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

No meu deserto particular
A chuva chega devagar
Gota aqui, gota ali
Não há para onde ir

De repente, céu cinzento
Mas eu espero um momento
Não posso crer que a vejo
Em seu ilusório gracejo

Desta vez, que engano meu
Não sei o que sucedeu
Sei sim!
É sempre assim!

Chega emproada
Faz que nada
Estufa o peito
Sopra com efeito!

A água cai densa
Mas sem ofensa
Inunda de um jeito...
Sim, me diz respeito.

Emoções demais
Tão reais...
As ondas me engolem
Me acolhem

Nem tento não me afogar.




sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bambuzal

O bambu balança,
balança.
O vento fugidio
sopra a dança.

E trança.
Crinas douradas,
os caules verdes
galopam.

Selvagens!

Correm sua liberdade
de planta enraizada.
Remam em terra,
rio abaixo.
Corredeiras,
pedras,
cachoeiras.
Mar aberto!

No azul imaginário
do horizonte desses versos,
eles rumam ao infinito.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Saudade daquele mar.
Meu por direito.
Pois que a ele dediquei
amor incondicional.

 Como resistir ao azul
dos seus olhos?
E seus braços longos
arenosos e febris.

Deitava-me no silêncio
 das ondas espumantes
 de seu desassossego.
Feliz!

No inverno,
 seu humor acinzentado
me arrepiava o corpo inteiro.

No verão,
 repousava alaranjado
 sobre minha pele quente.

 Mas o tempo,
Implacável,
 Passou por nós em cheio.
Levou minha inocência.
 Tirou você de mim.

Hoje sonho.
Revivo os passos macios.
 O vento aveludado.
 E caminho por seus limites.

 Atravesso ondas
que quebram minhas memórias.
 Estes doces e alvos grãos.
 Areia que o tempo leva.
E traz de volta.
E leva outra vez.

A saudade é assim,
nunca morre.
Vive quieta e serena
dentro de mim.