terça-feira, 10 de março de 2015

A história da eternidade

A armadura de couro curtido de sol inclemente
faz do juízo um cruel acusador
Atira pedras que cintilam o coração amargurado
Inundado de poeira de dor de amor

As asas do arcanjo sertanejo poeta
Erguidas ao céu que sorri eterno dourado
Faz o vento de efêmero e modesto namorado
E o mar de imaginário manto fresco

As suaves mãos em concha acústica
ondulam aos cantos do pequeno mundo
Declamam a fome histórica de ser ouvidas
Elas dizem com o corpo inteiro: fala!

Mas em terra de truculentos homens,
o barro faz casa avermelhada de sangue
As mãos não levam conchas, nem asas
Erguem paus e morte sobre arte, e dizem: cala!

A voz tremulante do artista apaixonado
esbarra como ondas calmas em rochas secas
Desaba o corpo que antes cantava

A tão mal falada intolerância
crava no peito o silêncio da indiferença
O ódio voraz consome a ferida toda
Fica a liberdade ali, em osso e ruína

Que não seja, então, tolerância
a palavra pretendida
Pois que tolerar é desgosto educado

Admirar é verbo mais adocicado
é reconhecer a beleza do que nos difere

Meditar também abriga mais beleza
Olhar para o umbigo dos próprios anseios

E que o seio de vó doe seu leite quente
Leito para ideias calmas, doçura no existir
Como corpo maleável, temperado de mel
Íntegro e vivo!

(10/03/2015)

Um comentário:

Alberto Quadros disse...

então, parou a dez de Março? não guarde tanto o que tem para nos dar!
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